Lama da Samarco chega ao mar

Neste sábado, 21, a lama com os rejeitos tóxicos chegou ao oceano.  Ela percorreu 650 quiômetros. Por onde passou, matou animais, plantas, e deixou moradores das cidades com abastecimento de água cortado.

“O medo que algum dia o mar também vire sertão”

“Aqui no Espírito Santo, nós temos a cordilheira submarina Vitória-Trindade que não permite que a corrente marinha atravesse a cordilheira. Então a corrente gira e forma um rodomoinho de 70 quilômetros de diâmetro e que traz tudo quanto é nutriente que está a até quatro mil metros de profundidade para o alto, adubando essa parte superficial do mar. Pense no estrago que isso vai gerar”, explica o biólogo André Ruschi.

Ainda conforme Ruschi, esse giro abriga o maior criadouro marinho do Oceano Atlântico, e por isso foi criada a reserva de Santa Cruz em 2010: para proteger as espécies que ali existem.

“Esse criadouro vai receber essa carga de elementos químicos, que vão ser trazidos ano a ano pelas enchentes da época de chuva, e que vai estar contaminando o mar por tempo indeterminado. A cada ano, com a época de chuvas, uma carga deste material vai descer e vai chegar ao mar. E a situação só vai piorando por todos estes anos. Vão ser precisos de 100 a 150 anos para que a água comece a se limpar deste rejeito”.

Segundo ele, o criadouro abriga espécies como tubarões, tartarugas marinhas, badejos, corais, e outros grandes peixes do oceano Atlântico. “Pra você ter uma ideia, no planeta inteiro, só existem 20 cordilheiras como esta, e o único banco de corais e algas calcárias comparáveis a esta no Espírito Santo, é a Costa dos Corais na Austrália”.

 

AS TARTARUGAS MARINHAS DE COURO, ESTÃO AMEAÇADAS.

LINHARES/ES 21=11-2015 CIDADES BARRAGEM LAMA Lama muda a cor do mar na foz do Rio Doce, em Linhares, ES Uma barreira de 9 km foi montada pra tentar conter os rejeitos de minério. Rejeitos de mineração também atingiram Baixo Guandu e Colatina. FOTO Fred Loureiro/Secom-ES
LINHARES/ES 21=11-2015 CIDADES BARRAGEM LAMA Lama muda a cor do mar na foz do Rio Doce, em Linhares, ES Uma barreira de 9 km foi montada pra tentar conter os rejeitos de minério. Rejeitos de mineração também atingiram Baixo Guandu e Colatina. FOTO Fred Loureiro/Secom-ES

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