A HISTÓRIA DA CAÇADA A BIN LADEN

Caçada a Bin Laden

Nicholas Schmidle, The New Yorker

Pouco depois das onze da noite do dia 1º de maio, dois helicópteros MH-60 Black Hawk saíram do aeroporto de Jalalabad, no Afeganistão, e embarcaram numa missão secreta que os levaria ao Paquistão para matar Osama bin Laden.

Nas aeronaves estavam 23 SEALS da Marinha, do Grupo Seis, conhecido oficialmente como Grupo Especial de Desenvolvimento de Guerra Naval (em inglês DEVGRU).

Também estavam a bordo um tradutor americano de origem paquistanesa, a quem chamarei de Ahmed, e um cachorro chamado Cairo, um pastor belga. Era uma noite de lua nova e os pilotos dos helicópteros, com óculos de visão noturna, voaram sem luzes sobre as montanhas que percorrem a fronteira com o Paquistão.

As comunicações por rádio foram reduzidas ao mínimo e uma estranha calma se instalou na cabine.

Quinze minutos mais tarde os helicópteros estavam sobre um vale alpino e penetravam, sem ser percebidos, no espaço aéreo paquistanês. Há mais de 60 anos que o Exército desse país mantém um estado de alerta contra seu vizinho do leste, a Índia. Devido a essa obsessão “as principais defesas aéreas estão voltadas para leste”, explica Shuja Nawaz, um estudioso do Exército paquistanês, autor do livro “Espadas Cruzadas: Paquistão, seu Exército e as Guerras Internas”.

Vários oficiais e altos funcionários do Governo concordam com essa avaliação, mas um militar paquistanês de alta patente, com quem conversei em Rawalpindi, discorda: Ninguém deixa suas fronteiras desamparadas”.

Apesar de recusar-se a dar detalhes sobre a localização ou direcionamento dos radares paquistaneses – “Não se trata de onde estão ou deixam de estar os radares” – disse que a infiltração americana foi consequência “do desnível tecnológico entre os EUA e o Paquistão”.

Os Black Hawks, cada um deles com dois pilotos e uma tripulação formada por soldados do 160º Regimento de Operações Especiais da Aeronáutica, também conhecidos como “caçadores noturnos”, foram adaptados para mascarar o calor, o ruído e o movimento que faziam; a parte externa tinha ângulos afilados e achatados, cobertos por uma “pele” antirradar.

O destino dos SEALS era uma casa na pequena cidade de Abbottabad, a 190 km da fronteira, nas colinas da serra de Pir Panjal, considerada um refúgio no verão, por seu clima agradável. Fundada em 1853 por um comandante britânico chamado James Abbott, ela se tornou a sede da prestigiada academia militar desde a criação do Paquistão em 1947.

Segundo a CIA, bin Laden estava escondido no terceiro andar de uma casa em um compound da Kakul Road, em Bilal, bairro de classe média a 1,5km da academia. Se tudo corresse como planejado, os SEALS saltariam dos helicópteros dentro do compound, dominariam a guarda de Bin Laden, disparariam de muito perto para matá-lo e levariam o corpo para o Afeganistão.

Os helicópteros atravessaram Mohmand, uma das sete regiões tribais do Paquistão, contornaram o norte de Peshawar e seguiram em direção ao leste.

O comandante do Esquadrão Vermelho do DEVGRU, a quem chamarei James, viajava sentado no chão junto com outros 10 SEALS, Ahmed e Cairo (troquei os nomes de todos os que participaram secretamente dessa operação).

James, um homem de ombros largos, com menos de 40 anos, não tem o corpo esbelto de um nadador, que é o que se imagina em um SEAL; parece mais um lançador de discos. Nessa noite vestia camisa e calças com camuflagem especial para o deserto, levava uma pistola Sig Sauer P226 com silenciador, e munição extra. Na mão carregava um fusil M4 de cano curto, com silenciador (outros SEALS preferiram o Heckler e Koch MP7).

Em um dos bolsos um mapa plastificado e quadriculado do compound. Em outro, um folheto com fotografias e descrições físicas do pessoal que acreditava estar na casa. Usava protetores auriculares que bloqueavam qualquer ruído menos o de seu coração.

O Paquistão não era território desconhecido para esses homens. O grupo já tinha penetrado naquele território, subreptíciamente, outras dez ou doze vezes. Mas Abbottabad era, de longe, a missão que levava o DEVGRU mais para dentro do território paquistanês.

Também representava a primeira tentativa real, desde o final de 2001, de matar “Crankshaft”, nome código que o Comando Conjunto de Operações Especiais (JSOC em inglês) havia dado a bin Laden.

Desde que ele escapara, naquele inverno, de uma batalha na região de Tora Bora, no Afeganistão, bin Laden desafiara os esforços feitos para localizá-lo. Até hoje não se sabe como nem porque ele foi morar em Abbottabad.

25 SEALS do DEVGRU, retirados de um esquadrão estacionado no Afeganistão, ficaram nos Chinooks pousados na fronteira; essa “força de resposta rápida” só entraria em ação se a missão ficasse em perigo.

O terceiro e o quarto Chinook estavam equipados com um par de M134 Minigun. Seguiram a rota inicial dos Black Hawks mas aterrissaram em um ponto predeterminado dentro do leito seco de um rio, num largo e muito pouco povoado vale no nordeste do Paquistão.

A casa mais próxima ficava a mais de um kilômetro. Apesar de estacionados, as hélices continuaram a girar enquanto membros da tropa patrulhavam as colinas ao redor. Um dos Chinooks levava bolsas com combustível para o caso dos outros aparelhos necessitarem de reabastecer seus tanques.

Enquanto isso os dois Black Hawks se aproximavam rapidamente de Abbottabad pelo noroeste, escondidos atrás das montanhas na margem mais ao norte da cidade. De repente, os pilotos voltaram suas aeronaves para a direita e se dirigiram para o sul, que os levava para a zona leste da cidade.

Quando as colinas se transformaram em planície, os pilotos tornaram a se voltar para a direita, em direção ao centro da cidade e iniciaram a descida.

Durante os próximos quatro minutos no interior dos Black Hawks só se ouvia o barulho surdo das balas entrando nos canos das metralhadoras.

Mark, o suboficial mais graduado do grupo, dobrou uma perna e se ajoelhou junto à porta aberta do helicóptero líder. Ele e os outros 11 SEALS estavam no “helicóptero número 1”, com luvas e óculos de visão noturna e se preparavam para deslizar por cordas até o terreno de bin Laden.

Esperavam o chefe da tripulação dar o sinal para lançar as cordas. Mas quando o piloto sobrevoava o compound, de repente ficou parado no ar para só então começar a baixar e Mark notou que o Black Hawk descia e achou que iam se espatifar no chão.

Quatro meses depois de Obama tomar posse, Leon Panetta, diretor da CIA, informou ao presidente sobre as últimas iniciativas da agência para localizar bin Laden. Obama não ficou muito impressionado.

Em junho de 2009 redigiu um memorando para Panetta ordenando que ele elaborasse um “plano operacional detalhado” para localizar o dirigente do Al Qaeda, e “que assegurasse que todos os esforços tinham sido feitos”.

O presidente intensificou um programa secreto da CIA, o de aviões não-pilotados; houve mais ataques com mísseis contra o Paquistão no primeiro ano de Obama do que nos oito anos de George W. Bush.

Os terroristas logo notaram a diferença. Um comunicado da Al Qaeda interceptado e transmitido pela CBS relatava que a situação estava séria e culpava “espiões que tinham se espalhado pela terra como gafanhotos”. Apesar disso, bin Laden continuava em local ignorado.

Em agosto de 2010, Panetta voltou com melhores notícias. Os analistas da CIA acreditavam ter identificado o correio de bin Laden, um homem de trinta e poucos anos chamado Abu Ahmed al-Kuwaiti.

Ele dirigia uma caminhonete de tração a quatro rodas cujo estepe tinha uma capa onde se via a imagem de um rinoceronte branco. A CIA começou a seguir sua pista. Um dia, um satélite capturou imagens da caminhonete entrando em um grande compound de concreto, em Abbottabad.

Os agentes, convencidos que Kuwaiti morava ali, passaram a vigiar o compound que era formado por uma casa principal com três andares, uma casa de hóspedes e vários edifícios auxiliares. Observaram que os moradores cuidavam de queimar o lixo em vez de deixá-lo para a coleta regular e também que o local não possuía nem telefone nem internet.

Kuwaiti e seu irmão iam e vinham mas um outro homem que morava no terceiro andar nunca saia lá de cima. Quando arriscava sair era para se mover dentro dos muros do compound. Alguns analistas especularam que o terceiro homem poderia ser bin Laden e a agência o apelidou de O Caminhante.

Obama se entusiasmou com as notícias, mas ele ainda não estava preparado para agir. John Brennan, seu assessor para assuntos de contra terrorismo, me contou que os conselheiros do presidente examinaram os dados para ver se “podiam refutar a teoria de que bin Laden estava ali”.

A CIA redobrou esforços e de acordo com informações recentes do The Guardian, um médico que trabalhava para eles iniciou uma campanha de imunização em Abbottabad com esperanças de encontrar amostras do DNA dos filhos de bin Laden (na verdade, ninguém no compound foi vacinado).

Ao terminar o ano de 2010, Obama ordenou que começassem a explorar as opções de uma ação militar. Panetta contactou o vice-almirante Bill McRaven, o SEAL que comandava a JSOC.

Tradicionalmente, o Exército é quem controla as comunidades de operações especiais, mas nos últimos anos os SEALS têm tido uma presença maior: o chefe de McRaven por ocasião da incursão, Eric Olson – comandante do Comando de Operações Especiais, SOCOM em inglês – é um almirante que já comandou o DEVGRU.

Em janeiro de 2011, McRaven pediu a um oficial do JSOC chamado Brian, que havia sido sub-comandante do DEVGRU, que lhe apresentasse um plano. No mês seguinte, Brian, o típico americano que parece ser o quarterback do time do ginásio, se instalou numa sala sem identificação no primeiro andar da área de impressoras da CIA em Langley (Virginia) e cobriu as paredes de mapas topográficos e imagens de satélite do compound de Abbottabad.

Ele e mais seis oficiais do JSOC foram formalmente nomeados para o departamento de contra terrorismo da CIA voltado para o Paquistão e o Afeganistão, mas na prática não tinham que prestar contas a ninguém. Um alto oficial do departamento numa visita ao JSOC descreveu a sala como um enclave de extrema discrição e sigilo. “Todo o trabalho ali era muito bem guardado”, foi o que ele disse.

A relação entre as unidades de operações especiais e a CIA data da guerra do Vietnã. Mas o limite entre os dois grupos foi se esfumando cada vez mais à medida que os agentes da agência e os militares passaram a se encontrar amiúde em missões no Iraque e no Afeganistão.

“Temos uma relação muito íntima, falamos e compreendemos a mesma língua” disse um oficial graduado do Departamento de Defesa. (Exemplo dessa tendência é o fato do general David H. Petraeus, antigo comandante em chefe das forças no Iraque e no Afeganistão, ser o atual diretor da CIA, enquanto Panetta assumiu o Departamento de Defesa).

A missão bin Laden, preparada no quartel-general da CIA e autorizada por seus estatutos legais, foi conduzida por militares da Marinha (DEVGRU) e intensificou mais ainda a cooperação entre a agência e o Pentágono.

John Radsan, que fez parte do grupo de advogados da CIA, disse que “o assalto a Abbottabad resultou na incorporação do JSOC a uma operação da CIA”.

No dia 14 de março, Obama convocou seus conselheiros da Segurança Nacional à Sala da Crise da Casa Branca e reviu o quadro que mostrava as possíveis ações contra o compound de Abbottabad.

Todas eram variantes de um mesmo modelo: uma operação da JSOC ou um ataque aéreo. Em algumas versões havia a proposta de cooperação com o exército paquistanês; em outras, não pedir sua colaboração.

“Não se acreditava que os paquistaneses pudessem manter esse segredo mais que um nanosegundo”, um alto conselheiro do presidente me disse. Ao final do encontro, Obama instruiu McRaven a continuar com o planejamento do ataque.

Brian convidou James, chefe do Esquadrão Vermelho do DEVGRU e Mark, o mais graduado suboficial para irem ao quartel-general da CIA. Passaram as duas semanas e meia seguintes buscando formas de entrar na casa. Uma opção era voar até os arredores de Abbottabad e depois fazer o grupo entrar a pé na cidade.

Mas o risco era alto e os SEALS ficariam cansados depois de correr uma boa distância até o compound. Pensaram em cavar um túnel para entrar na casa ou na possibilidade de Bin Laden ser ajudado a cavar um para sair.

Mas as imagens de satélite mostravam que aquela região estava sobre água represada, o que sugeria que o conjunto fora construído sobre um banhado. Por isso os tuneis estavam fora de cogitação. Finalmente, todos concordaram que voar era a melhor solução.

“Nosso trabalho consiste em fazer o inesperado e é provável que o que menos se espera é que um helicóptero deixe cair alguns homens no telhado e aterrisse no quintal”, disse o oficial das Operações Especiais.

Em 29 de março McRaven apresentou o plano a Obama. Os assessores militares do presidente ficaram divididos. Alguns favoreciam um assalto; outros, um ataque aéreo e outros preferiam esperar por mais dados.

Uma opção era atacar com bombardeiros B-2 Spirit. Isso evitava o risco de colocar soldados americanos em território paquistanês. Mas a Força Aérea calculou que seriam necessárias 32 bombas inteligentes, cada uma com 1000 kilos, para penetrar 10 metros abaixo da terra e assegurar a destruição de qualquer bunker.

A perspectiva de arrasar uma cidade paquistanesa fez Obama afastar a ideia de um bombardeio e ele instruiu McRaven a planejar a incursão.

Brain, James e Mark começaram a selecionar uma equipe dentre as dezenas de SEALS do Esquadrão Vermelho e disseram a eles que se apresentassem em uma localidade densamente arborizada na Carolina do Norte para um exercício no dia 10 de abril (o Esquadrão Vermelho é um dos quatro que compõem o DEVGRU, que conta com uns trezentos agentes).

Além dos SEALS, poucos sabiam da missão em gestação até que um tenente da Marinha entrou na sala e viu um general do Exército de duas estrelas, do JSOC, sentado em volta de uma mesa com Brian, James, Mark e vários analistas da CIA. Na mesma hora contaram tudo ao tenente. (Melhor saber que suspeitar).

No acampamento construíram uma réplica do compound e o grupo passou os cinco dias seguintes treinando as manobras.

No dia 18 de abril a patrulha do DEVGRU foi para Nevada para outra semana de treinamento. Praticaram numa grande área do deserto, propriedade do governo, de tamanho equivalente ao terreno de Abbottabad.

Lá havia uma edificação que podia servir como “casa de bin Laden”. As tripulações dos helicópeteros prepararam uma rota similar a que fariam entre Jalalabad e Abbottabad.

Ao entardecer, começavam a treinar: voavam no escuro, chegavam ao falso compound e aguardavam enquanto os SEALS desciam pelas cordas. Nem todos estavam acostumados. Ahmed, por exemplo, foi tirado de uma escrivaninha, nunca tinha deslizado por uma corda. Mas logo aprendeu a técnica.

O plano foi sendo refinado. O helicóptero 1 sobrevoaria o pátio e 12 SEALS desceriam pelas cordas até o quintal. O número dois voaria até a próxima esquina e deixaria Ahmed, Cairo e quatro SEALS descerem para vigiar o perímetro em torno da casa.

Depois a aeronave sobrevoaria a casa e deixaria os outros seis SEALS descerem em cima do telhado.

Ahmed manteria os vizinhos curiosos à distância. Se houvesse necessidade Cairo e os SEALS ajudariam de forma mais agressiva. Se não encontrassem bin Laden, fariam Cairo procurar paredes falsas ou portas ocultas. “Não era uma operação difícil”, disse o oficial de Operações Especiais.

Na noite de 21 de abril eles receberam um avião cheio de convidados. O almirante Mike Mullen, chefe do Estado Maior se reuniu com Olson, McRaven e o pessoal da CIA em um hangar onde Brian, James, Mark e os pilotos lhes explicaram a missão, denominada Lança de Netuno.

Apesar do papel fundamental do JSOC a missão era oficialmente uma operação secreta da CIA . O sigilo permitiria que a Casa Branca ocultasse seu papel, caso viesse a ser necessário.

Em 26 de abril os SEALS embarcaram num Boeing C-17 Globemaster numa base aérea da Marinha. Depois de uma escala em Ramstein, na Alemanha, para reabastecimento, continuaram o voo até o aeroporto de Bagram, ao norte de Kabul.

Em Washington, Panetta perguntou aos assistentes que garantia tinham de que bin Laden estava em Abbottabad. O agente especializado em contra terrosimso respondeu: “de 40 a 90 ou 95%”

Panetta estava consciente das dúvidas dos analistas mas achava que as informações eram as melhores obtidas sobre bin Laden desde o episódio de Tora Bora.

No meio da tarde de quinta-feira, Panetta e o restante da equipe de Segurança Nacional se reuniram com o presidente. Durante algumas noites não ia haver luar sobre Abbottabad, condição ideal para um assalto. Teriam que esperar outro mês até o ciclo lunar entrar na mesma fase.

Muitos outros analistas do Centro Nacional de Antiterrorismo expressaram sua opinião: a confiança nos dados da CIA ia de 40 a 60%.

O diretor, Michael Leiter, achava que seria melhor esperar até terem uma certeza maior da presença de bin Laden na casa. No entanto, todos eram unânimes que quanto mais adiassem a operação, maior o risco de vazamento o que “desbarataria todo o plano”. Já passava das sete da noite quando Obama encerrou a reunião. Ia pensar.

Na manhã seguinte Obama se reuniu na Sala dos Mapas com seus conselheiros para assuntos de Segurança Nacional. Tinha se decidido pelo assalto e queria que McRaven escolhesse a noite.

Já estava tarde para um ataque naquela sexta-feira e para o sábado a previsão era de muitas nuvens. Na tarde de sexta McRaven e Obama se falaram ao telefone e McRaven disse ao presidente que a ação seria executada no sábado á noite.

“Deus acompanhe vocês. Por favor transmita meus agradecimentos pessoais a todos e diga-lhes que vou acompanhar a missão minuto a minuto”.

Na manhã de sábado, 1º de maio, o pessoal da Casa Branca cancelou visitas agendadas, encomendou sanduiches e transformou a Sala da Crise numa Sala de Comando.

Às 11 horas os assessores de Obama começaram a se reunir em volta de uma mesa e criaram um link com Panetta, nos escritórios da CIA, e com McRaven, no Afeganistão (havia ao menos dois outros centros de comando, um dentro do Pentágono e outro na Embaixada Americana, em Islamabad).

A Sala de Comando tinha a única tela da Casa Branca com imagens on line, em tempo real, tomadas pelo avião não-tripulado RQ170 que sobrevoava Abbottabad a mais de 5000 mil metros de altura.

Os estrategistas do JSOC decidiram guardar o maior segredo possível e preferiram não usar aviões de combate ou bombardeiros. Os SEALS estavam sozinhos.

Obama voltou para a Casa Branca às duas em ponto, depois de uma partida de golf na Base Aérea de Andrews. Os Black Hawks sairam de Jalalabad 30 minutos depois.

Um pouco antes das quatro, Panetta anunciou para o grupo na Sala da Crise que os helicópteros se aproximavam de Abbottabad.

Obama se pôs de pé. “Preciso ver isso” e cruzou o corredor para ir até o pequeno escritório e sentar ao lado de Webb. O vice-presidente Joseph Biden, a Secretária de Estado Hillary Clinton e o Secretário Gates o seguiram. Na tela LSD de tamanho modesto aparecia o helicóptero 1 acima do compound e logo em seguida, aconteceu o inesperado.

Quando o piloto percebeu que o helicóptero escapava, acionou a peça que controla a velocidade das hélices para descobrir que a aeronave não obedecia. Os altos muros do compound e as altas temperaturas fizeram com que o Black Hawk entrasse em um fluxo descendente causado por sua própria hélice, uma situação aerodinâmica perigosa conhecida como “settling with power” ou seja, o que ocasiona uma queda brusca.

Na Carolina do Norte não houve esse problema porque o alambrado utilizado como muro do compound fictício permitia a livre circulação de ar.

Um velho piloto de helicópteros, com ampla experiência, explica assim a situação de quem está no comando: “É apavorante, já me vi nessa situação, e a única forma de superar o problema é empurrar o contador de rotações para a frente e sair do vácuo vertical que se formou e dentro do qual você está. Mas aí faz falta altitude. Se estás a 700 metros do solo, tens tempo. Se estás a 16 metros, a queda é certa”.

O piloto abandonou o plano de soltar as cordas e se concentrou em aterrissar. Procurou um curral que havia a oeste do complexo. Os SEALS a bordo se seguraram enquanto a cauda do rotor girava e fazia a aeronave arranhar o muro do curral.

O piloto baixou o nariz da aeronave para enfiá-lo no barro e assim impedir que a aeronave tombasse de lado. Vacas, galinhas e coelhos corriam de cá pra lá, alvoroçados.

Com o Black Hawk estatelado num ângulo de 45 graus numa parede, a tripulação enviou mensagem de ajuda para os Chinooks que estavam parados do outro lado da fronteira.

James e os SEALS no helicóptero dois assistiam isso tudo enquanto sobrevoavam a esquina a nordeste do compound. O segundo piloto, sem saber se seu colega fora atingido ou se estava com problemas mecânicos, abandonou seu plano de sobrevoar o telhado da casa.

Em vez disso, aterrissou num campo gramado do outro lado da rua, em frente à casa.

Nenhum americano entrara no compound ainda. Mark e seu time estavam dentro de um helicóptero avariado enquanto James e seu grupo estavam do lado oposto. Os dois times estiveram em cima do alvo por menos de um minuto e a missão já estava desviando da rota.

“A eternidade é definida como o tempo entre o momento em que você vê que alguma coisa deu errado e a primeira mensagem de viva voz chegar”.

Em Washinton todos olhavam para a tela e esperavam ansiosamente por um comunicado militar. Parecia que estavam assistindo ao clímax de um filme, foi como descreveram a experiência.

Depois de alguns minutos, os doze SEALS dentro do helicóptero recuperaram o controle e transmitiram pelo rádio que estavam dando prosseguimento ao ataque.

Tinham tomado parte em tantas operações nos últimos nove anos que poucas coisas os pegavam desprevenidos. Nos meses que se seguiram ao ataque a imprensa frequentemente sugeriu que a operação Abbottabad foi tão desafiadora quanto a operação Garra de Águia ou o incidente do Black Hawk abatido, mas um alto funcionário do Departamento de Estado me disse que essa não foi uma das três missões mais difíceis. “Essa foi uma das mais de duas mil missões conduzidas durante os últimos dois anos, noite após noite”. Ele comparava essa rotina à rotina de “aparar a grama”.

Naquela mesma noite, as forças de operação-especial baseadas no Afeganistão tinham participado de outras doze missões; de acordo com dados oficiais, essas operações capturaram ou mataram entre quinze e vinte alvos. “A maioria das operações segue numa direção e pronto. Esta mudou de direção”.

Minutos após bater no chão, Mark e os outros membros do grupo começaram a sair pelas portas laterais do helicóptero 1. As botas se enterravam na lama enquanto eles corriam ao longo do muro de três metros que cercava o curral.

Três homens da equipe de demolição se aproximaram do portão de metal trancado e puseram explosivos nas dobradiças. O portão foi abaixo com um estrondo.

Os outros nove SEALS correram para fora e deram numa pequena viela nos fundos da casa, do outro lado da entrada principal.

Seguiram em frente, os rifles pressionando os ombros. Mark era o último da fila pois se comunicava com o outro grupo.

No fim da viela os americanos explodiram outro portão trancado e entraram num pátio que ficava em frente à casa de hóspedes, onde Abu Ahmed al-Kuwaiti, o correio de bin Laden, vivia com sua mulher e quatro crianças.

Três SEALS correram para esvaziar a casa de hóspedes enquanto os outros nove explodiam outro portão e entravam num pátio interno defronte à casa principal.

Quando o grupo menor virou a esquina, eles viram Kuwaiti entrar correndo para avisar sua mulher e filhos e logo em seguida sair com uma arma na mão. Eles abriram fogo e o mataram.

Os outros nove SEALS, entre eles Mark, formaram grupos de três para examinar o pátio interno já que eles acreditavam que na casa ainda estavam outros homens: o irmão de Kuwaiti, Abrar, de 33 anos; dois filhos de bin Laden, Hamza e Khalid e o próprio bin Laden.

Quando os SEALS acabaram de atravessar o pátio em direção à entrada da frente, Abrar – um homem forte e armado com um AK-7 saiu pela porta principal. Eles dispararam e o mataram, assim como sua mulher, Bushra, que estava em pé, sem arma alguma, ao lado do marido.

Fora dos muros do compound Ahmed, o tradutor, patrulhava a estrada de terra em frente à casa de bin Laden, como se fosse um oficial da polícia paquistanesa em roupas civis. Ele, Cairo, e quatro SEALS tinham como missão fechar aquela entrada da casa enquanto James e os outros SEALS – o grupo que deveria ter saltado em cima do telhado – se movimentava lá dentro.

Para o grupo que patrulhava a rua, os primeiros quinze minutos correram sem incidentes. Os vizinhos sem dúvida ouviram o ruído dos helicópteros voando baixo, o som de um se estatelando, as explosões para derrubar portões, e os tiros que se seguiram, mas ninguém saiu de casa.

Um morador local registrou o tumulto numa mensagem pelo Twitter: “Helicóptero sobrevoando Abbottabad a uma da manhã (fato raro)”.

Eventualmente, um grupo de paquistaneses se aproximou para perguntar o que é que estava acontecendo do outro lado do muro.

“Voltem para suas casas”, lhes disse Ahmed, com Cairo a seu lado, alerta. “É uma operação de segurança”. Os moradores voltaram para suas casas, nenhum deles suspeitando que tinham falado com um americano.

Quando os jornalistas baixaram em Bilal nos dias que se seguiram, um morador contou: “Vi que de um helicóptero saiam alguns soldados e que entravam na casa. Muitos deles nos ordenaram em pastúm que apagássemos as luzes e que ficássemos dentro de casa”.

O chefe do Esquadrão, James, depois de transpor um muro, cruzar uma parte do pátio coberta com treliças, cruzou outro muro e se juntou aos SEALS do helicóptero número 1 que estavam entrando no térreo da casa.

O que aconteceu a seguir não ficou muito claro. “Posso dizer a vocês que houve um intervalo de vinte ou vinte e cinco minutos em que nós ficamos sem saber exatamente o que se passava”, disse Panetta mais tarde, num programa da rede PBS, News Hour.

Até esse momento a operação estava sendo monitorada por dúzias de oficiais da defesa, da inteligência e do governo graças às imagens transmitidas pelo avião não-tripulado.

Os SEALS não usavam capacetes com câmeras, ao contrário do que disse uma reportagem da CBS. Nenhum deles tinha ideia de como era a planta do térreo e estavam muito envolvidos com o fato de saber que estavam preste a acabar com a perseguição mais cara da História dos EUA; por isso pode ser que algumas recordações – nas quais este relato se baseia – sejam pouco precisas e sujeitas a controvérsias.

Enquanto os filhos de Abrar corriam, os SEALS registravam a planta da casa principal, cômodo por cômodo.

Apesar dos americanos terem previsto a possibilidade de que houvesse alguma bomba tipo armadilha, a presença de crianças correndo dizia o contrário. “Há um limite para quão vigilantes podemos ser. bin Laden ia se deitar todas as noites pensando que poderíamos aparecer? Claro que não. Talvez nos dois primeiros anos, mas agora não”.

Não obstante, havia nítidas medidas de precaução; uma porta de metal trancada impedia o acesso à escada que levava ao segundo andar, o que fazia a sala do primeiro andar parecer uma jaula.

Os SEALS explodiram mais essa porta e subiram as escadas. A meio caminho viram Khalid, um dos filhos de bin Laden, “espichando o pescoço para nos ver”. Logo em seguida ele apareceu no alto da escada com um AK-47.

Khalid, de camiseta branca, com os cabelos curtos, barba bem aparada, atirou nos americanos (Os contra terroristas dizem que Khalid estava desarmado, mas esse relato deve ser levado a sério: “Um jovem adulto do sexo masculino, no meio da noite, desce a escada em direção a vocês numa casa que pertence a Al Qaeda – você presume que essa é uma pessoa hostil”).

Ao menos dois SEALS atiraram de volta e mataram Khalid. De acordo com folhetos que os SEALS carregavam, devia haver cinco adultos do sexo masculino no compound. Três já estavam mortos; o quarto, o filho de bin Laden chamado Hanza, não estava em casa. Sobrava bin Laden.

Antes da missão começar os SEALS criaram uma lista de palavras em código que tinha como tema o índio americano. Cada código representava um estagio diferente da missão: deixar Jalalabad, entrar no Paquistão, se aproximar do compound, e por aí em diante. “Gerônimo” significaria que bin Laden fora encontrado.

Três SEALS passaram pelo corpo de Khalid e estouraram outra porta de metal, a que impedia o acesso ao terceiro andar. Subiram as escadas escuras e examinaram o primeiro patamar.

No andar de cima o primeiro SEAL dobrou à direita; com os óculos de visão noturna viu um homem alto e magro, de barba, que o olhava da porta de um cômodo, a três metros de distância.

O SEAL percebeu de imediato que esse era “Crankshank”. O responsável pelo Departamento de Antiterrorismo diz que o SEAL viu bin Laden desde o patamar e atirou, mas que errou.

Os americanos correram para a porta do quarto. O primeiro SEAL a abriu com um empurrão. Duas das mulheres de bin Laden se colocaram diante dele. Amal al-Fatah, sua quinta mulher, gritava em árabe. Fez um movimento como se fosse atacar; o SEAL baixou o cano e disparou em direção à perna dela.

Temendo que uma delas usasse coletes carregados de explosivos, ou as duas, ele se aproximou e deu-lhes um abraço de urso. Claro que se elas estivessem usando uma coisa dessas e os detonassem, ele estaria morto, mas teria absorvido parte do impacto e salvado os outros dois SEALS que vinham atrás dele.

Um segundo SEAL entrou no quarto e apontou o laser infravermelho de seu M4 no peito de bin Laden . O chefe da Al Qaeda, que usava um shalwar kameez bege e um gorro de oração, ficou petrificado: ele estava desarmado.

“Nunca houve a hipótese de detê-lo ou capturá-lo – não foi uma decisão do momento. Ninguém queria prisioneiros”, me disse o oficial das Operações Especiais. (O governo americano mantém até agora que se bin Laden tivesse se entregado, podia ter sido detido, vivo).

Nove anos, sete meses e vinte dias depois do 11 de setembro, um americano estava a uma pressão de seu gatilho para acabar com a vida de bin Laden.

A primeira bala, de 5.56mm, pegou-o no peito. A segunda, na cabeça, acima do olho esquerdo. Em seu rádio ele transmitiu: “For God and country—Geronimo, Geronimo, Geronimo”. Depois de uma pausa, disse: “Geronimo E.K.I.A – enemy killed in action” (Por Deus e pelo país, Gerônimo, Gerônimo, Gerônimo”- E.K.I.A: inimigo morto em combate” ).

Ao ouvir isso na Casa Branca, Obama franziu os lábios e disse solene, para ninguém em especial: “Nós o pegamos”.

Relaxando o controle sobre as duas mulheres de bin Laden, o primeiro SEAL colocou algemas nas duas e levou-as para baixo. Dois de seus colegas, nesse meio tempo, subiram as escadas com um saco de nylon. Colocaram o corpo de bin Laden dentro do saco.

Tinham se passado dezoito minutos desde a chegada da equipe do DEVGRU. Pelos próxmos vinte minutos a missão se transformou em coleta de dados.

Quatro homens examinaram o segundo andar com bolsas de plástico para recolher o que encontrassem. Recolheram tudo. Lá embaixo juntaram as mulheres e as crianças e o único membro do grupo que falava bem árabe os interrogou.

As crianças não tinham a menor ideia de quem era o homem que vivia lá em cima. Sabiam que era “um velho”. Nenhuma das mulheres confirmou que ele era bin Laden, mas uma delas se referiu a ele como “o sheik”.

Quando o Chinook chegou trazia um paramédico que colheu com seringa duas amostras da medula do cadáver. E com bastões de algodão outras amostras. Um grupo de amostras viajou no Black Hawk e outro foi no Chinook junto com o corpo.

Ainda precisavam destruir o helicóptero tombado. O piloto, armado com um martelo que tinha para casos assim, destroçou o painel de instrumentos, o rádio e os demais dispositivos secretos da cabine.

Logo chegou a equipe de demolição. Colocaram explosivos por toda a estrutura da aeronave. “Não era para ocultar que aquilo foi um helicóptero, mas para deixá-lo inutilizado”. Enquanto chamas gigantescas lambiam o aparelho, os americanos saíam dali.

Na Sala de Combate, Obama disse: “Só vou me sentir bem quando esses caras saírem de lá em segurança”.

Depois de extamente trinta e oito minutos dentro do compound, os dois grupos de SEALS ainda tinham que enfrentar o longo voo de volta ao Afeganistão.

O Black Hawk estava com o tanque baixo e precisou reabastecer. Para isso tinha que ir até o Chinook perto da fronteira afegã. Ainda dentro do Paquistão. Reabastecer levou vinte e cinco minutos.

Num dado momento, Joe Biden, com um rosário nas mãos, disse a Mullen, o chefe do Estado Maior: “Nós todos devíamos ir à missa hoje”.

Os helicópteros aterrissaram em Jalalabad cerca de 3 da manhã; McRaven e o chefe da agência local da CIA estavam à espera dos rapazes. Dois SEALS abriram o saco de nylon para que eles pudessem ver com seus próprios olhos o corpo de bin Laden.

Depois tiraram fotos do rosto e do seu corpo esticado. Um SEAL que media 1m80 se esticou ao lado cadáver já que não havia fita métrica à mão. bin Laden tinha mais ou menos 10 cm a mais que o americano. Minutos mais tarde McRaven aparecia na tela da Sala de Comando e confirmava que o corpo de bin Laden estava num saco. O cadáver foi enviado para Bagran.

Desde o inicio os SEALS pretendiam jogar o corpo no mar, uma forma definitiva de acabar com o mito bin Laden. Já haviam feito isso com um dos principais dirigentes da Al Qaeda na África. Levaram o corpo num navio até o Oceano Índico, lá lhe administraram os ritos muçulmanos e o lançaram ao mar.

Antes de fazer o mesmo com bin Laden, John Brennan deu um telefonema. Ele fora chefe da agência em Riad. Chamou um antigo colega de trabalho e contou o que ocorrera em Abbottabad e qual o plano. Mas antes gostava de saber se a família de Osama bin Laden, que era saudita, estava interessada em recuperar o cadáver. A resposta que obteve foi: “Seu plano me parece muito bom”.

Ao amanhecer do dia carregaram o corpo de bin Laden para um avião acompanhado de um oficial da JSOC e de uma patrulha da Polícia Militar. O avião foi ao encontro do submarino nuclear USS Carl Vinson.

Nesse navio lavaram o corpo de bin Laden, o envolveram numa mortalha branca, pesaram e colocaram em uma bolsa. “Todo o procedimento obedeceu aos mais rígidos princípios do Islã”, disse Brennan.

Levaram o corpo por um elevador ao ar livre para o andar do hangar dos aviões e de lá, a uns sete ou oito metros sobre as ondas, jogaram o corpo na água.

A proximidade da casa de bin Laden com a academia militar do Paquistão segeriu a possibilidade de que o Exército ou o ISI o houvessem protegido. Como era possível ele morar tão perto e ninguém saber? Ainda mais depois que o New York Times informou que na casa de bin Laden tinha sido encontrado um celular com telefones de altas patentes do exército paquistanês. Mas nunca nenhuma prova conclusiva apareceu.

A morte de bin Laden deu à Casa Branca a vitória simbólica que necessitava para retirar suas tropas do Afeganistão. No entanto, não se prevê a retirada das operações clandestinas da CIA e do JSOC a curto prazo.

Desde o dia 2 de maio já houve mais de 20 incursões em aviões não-tripulados a Waziristan do Norte e do Sul, inclusive uma em que, ao que parece, mataram Ilyas Kashmiri, um dos principais líderes do Al Qaeda, enquanto tomava chá em um horto.

No dia 6 de maio a Al Qaeda confirmou a morte de bin Laden e fez publicar uma declaração em que felicitava a “nação islâmica” pelo “martírio de seu bom filho Osama”.

Os autores prometiam aos americanos que “sua alegria se transformaria em tristeza e suas lágrimas se misturariam com sangue”.

Nesse mesmo dia, o presidente Obama foi para o Forte Campbell (Kentucky), onde fica a base do 160º Regimento, para conhecer os membros do DEVGRU e os pilotos que levaram a cabo aquela missão.

Os SEALS tinham regressado do Afeganistão uns dias antes e ido para a Virginia. Biden, Tom Donilon e uma dúzia de assessores da Segurança Nacional os acompanharam.

McRaven recebeu Obama na pista. Haviam se conhecido poucos dias antes e Obama tinha dado a McRaven uma fita métrica. Foram todos para um salão sem janelas, com luzes fluorescentes e cadeiras de metal dobráveis. E todos, um por um, informaram sobre suas ações ao presidente.

Depois Obama e seus assessores foram por um passadiço para outro ambiente encontrar mais pessoas que haviam colaborado de longe para a missão: especialistas em logística, chefes de tripulação, e reservas dos SEALS.

Obama outorgou à equipe uma menção presidencial e disse: “Os profissionais de nossos serviços de inteligência fizeram um trabalho formidável. Eu acreditava que bin Laden pudesse estar ali, mas não tinha a confiança dos senhores. São, sem dúvida, literalmente, a melhor força de combate pequena que jamais existiu no mundo”.

A equipe que realizou a missão deu ao presidente a bandeira americana que estava no Chinook de resgate. A bandeira, de 1m x 1,6 metros, está assinada por todos e tem uma inscrição: “Da Força da Operação Lança de Netuno, 1 de maio de 2011: por Deus e por nosso país, Gerônimo”.

Obama prometeu que ia guardá-la em lugar privado e “que signifique muito para mim”. Antes de regressar a Washington posou para muitas fotografias com cada membro da equipe e conversou com muitos deles, mas houve uma coisa da qual não falaram. Ele nunca perguntou quem havia dado o tiro fatal e os SEALS nunca se ofereceram para dizê-lo.

© The New Yorker.