Aragão – A missão dada a ele é destruir a Lava Lato

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DELEGADOS E PROCURADORES REAGEM ÀS AMEAÇAS DO NOVO MINISTRO
A entrevista do ministro Aragão à Folha foi um desastre
Virgilio Tamberlini

A Polícia Federal e o Ministério Público reagiram à entrevista delirante de Eugênio Aragão, que certamente errou na dose de ayahuasca antes falar com a Folha de S. Paulo, ao ameaçar afastar as equipes da Lava Jato se houver vazamento de informações, mesmo que não haja provas contra os federais.

O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Carlos Miguel Sobral, acusou o ministro de querer destruir a Lava Jato:

“Isso demonstra duas coisas: revela a vulnerabilidade da Polícia Federal, que não tem sua autonomia garantida na Constituição e na lei, e exibe também a pressa em acabar com a maior investigação de combate ao crime organizado da história do Brasil”.

O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho Cavalcanti, também reagiu:

“O ministro escorregou ou está fazendo um discurso político ao falar em extorsão. Não há extorsão alguma. Não há delação premiada sem voluntariedade no Brasil e nem na Lava Jato. O ministro disse que há uma politização dos agentes de Estado. Com todo respeito, ao falar em extorsão, quem está tentando politizar a Lava Jato é o ministro da Lava Jato. Todas as delações foram tomadas com voluntariedade e analisadas por um Judiciário técnico e livre”.

O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti, criticou o ministro da justiça, Eugênio Aragão e disse ser “incabível” falar em extorsão. Segundo ele, mais de 90% dos colaboradores estavam soltos, enquanto os que estavam presos preventivamente “contrataram as defesas mais competentes do Brasil”.
“As delações mais importantes foram feitas perante o Supremo, mas, mesmo em primeira instância, tiveram total rigor técnico. Nenhuma foi revertida nem teve apontada qualquer irregularidade. Foi uma declaração meramente política, com todo o respeito que temos ao ministro”, disse. “Ele está politizando uma discussão técnica, que não procede em relação à Lava Jato.”
Cavalcanti também defendeu que não houve vazamentos das investigações, mas divulgação dentro da legalidade. “Quando o sigilo é liberado pelo juiz competente, trata-se de um processo público. Essa confusão tem sido feita inclusive pela presidente da República”, criticou. (ESTADÃO)

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