Assessoria de Lula acusa promotor de violar lei por divulgação da suspeita de crime

A assessoria do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nota acusando  o promotor de Justiça de São Paulo Cassio Conserino de ter  violado a lei e de ter adotado uma conduta “arbitrária” e “leviana” ao informar à imprensa que considera ter obtido indícios suficientes para denunciar o ex-presidente pelo crime de lavagem de dinheiro em investigação sobre um apartamento triplex

PROMOTOR CONTESTA NOTA

O promotor Cassio Conserino rebateu as afirmações da nota da assessoria de Lula.

Segundo o promotor, “o Ministério Público não antecipou denúncia. Só exteriorizou, em homenagem ao interesse público que norteia a questão, que as provas coligidas apontam para a possibilidade de uma denúncia”.

Conserino diz que não houve arbitrariedade em sua conduta “pois estamos num Estado Democrático de Direito, com imprensa livre atenta aos anseios sociais”

“Apenas explicitamos as provas coligidas em regular procedimento investigatório criminal já instaurado há cinco meses e com onze volumes de investigação”, afirma.

De acordo com o promotor, em breve serão realizados os interrogatórios dos investigados e eles terão a oportunidade de apresentar sua defesas.

“Oxalá os investigados consigam refutar toda a gama de prova testemunhal, circunstancial e documental que apontam para possível crime de lavagem de dinheiro entre outros”, diz.

“Por último, o trabalho é do Ministério Público com a participação de outros promotores e não tem qualquer tom personalíssimo”, completa o promotor.

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Na apuração, a Promotoria já colheu depoimentos de engenheiros e funcionários do condomínio que apontam que apenas familiares de Lula estiveram no triplex durante as fases de construção e reforma do imóvel, e que as visitas envolveram medidas para esconder a presença de Lula e parentes no condomínio.

O promotor paulista diz que nas últimas semanas colheu o depoimento de uma ex-funcionária da OAS e uma engenheira da construtora que confirmaram a ocorrência do encontro no triplex com a presença dos familiares de Lula. Para Conserino, os testemunhos comprovam que na oportunidade os parentes do petista estavam verificando a unidade para em seguida receber o imóvel.

Outro novo indício contra Lula foi obtenção de comprovante de que a OAS pagou pelo mobiliário da cozinha do triplex, segundo o promotor.

Formalmente, o triplex não chegou a ser transferido para o ex-presidente. A mulher de Lula tinha a opção de compra do apartamento, mas em novembro a família anunciou que havia desistido de ficar com a unidade construída e reformada pela OAS.

O promotor Cássio Conserino disse à Veja:

“Lula e dona Marisa foram beneficiados pela relação com Léo Pinheiro, o presidente da empreiteira. Enquanto centenas de mutuários da Bancoop ficaram sem os imóveis, Lula e dona Marisa foram contemplados pela OAS com um apartamento luxuoso. Tudo numa operação cuidadosamente arquitetada para ocultar a triangulação”.

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