Contra o consenso ou: Maxismo e ambientalismo, dois lados da mesma moeda

 

Por João Luiz Mauad, publicado no Instituto Liberal

“Como líder da maior economia mundial e do segundo maior emissor [de CO2], (…) os EUA não apenas reconhecem nosso papel na criação desse problema, nós aceitamos nossa responsabilidade em fazer algo a respeito” Barak Obama

“Devemos deixar nossas crianças em um mundo livre do terror e fornecer um planeta protegido de desastres, um planeta viável para viver” François Hollande

As frases acima foram ditas pelos presidentes dos Estados Unidos e da França, logo na abertura da COP21, a conferência do clima, realizada atualmente em Paris. O primeiro comanda o país mais rico do planeta, cuja riqueza amealhada durante o último século, em grande medida, se deve à utilização em massa da energia mais barata, abundante e eficiente que existe: o petróleo. Agora, depois de ricos, Obama e seus pares pretendem impor ao mundo, especialmente aos mais pobres, o uso de energias caras e ineficientes, como solar e eólica, no lugar do petróleo, condenando vastas áreas da humanidade à pobreza eterna. O segundo provavelmente ignora completamente o fato de que, graças às novas tecnologias e, principalmente, ao uso de combustíveis fósseis, o número de vítimas de acidentes naturais no mundo inteiro vem caindo de forma contínua.

Mas quem se interessa pelos fatos e pela realidade quando pode faturar politicamente em cima da demagogia e da mistificação? Sim, pois a causa do aquecimento global transformou-se numa fonte segura de popularidade para os políticos e numa fonte inesgotável de recursos para alguns cientistas, empenhados em transformar a ciência em política e vice versa, notadamente quando pretendem estabelecer consensos, no lugar de argumentos, provas e contra-provas.

Imagine como seria a física hoje se Galileu não tivesse questionado a teoria aristotélica, se Newton não tivesse estendido e generalizado o trabalho de Galileu e Einstein estivesse plenamente satisfeito com as conclusões de Newton. Na verdade, o esforço para “negar” as teorias científicas é tão antigo e saudável quanto a própria ciência.

É assim que as ciências da natureza trabalham. Observações levam a hipóteses. Hipóteses são testadas através de experimentos. Os resultados são divulgados, examinados e duplicados antes que uma boa teoria seja divulgada. Certezas são raras, leis são muito poucas. Ciência não é fonte de autoridade, mas de conhecimento.

Em tempos de Cop21, este escriba, para quem a ciência não é matéria sujeita a consensos, mas, ao contrário, depende justamente de dissensos, resolveu mergulhar num livro recentemente lançado sobre o tema: “Por que os cientistas discordam sobre o aquecimento global”, escrito pelos climatologistas Craig Idso, Robert M. Carter e S. Fred Cantor. Aos interessados pelo tema, segue uma tradução livre da introdução:

O fato mais importante sobre a ciência do clima, muitas vezes esquecido, é que os cientistas discordam acerca dos impactos ambientais da queima de combustíveis fósseis sobre o clima global. Não há nenhuma pesquisa ou estudo mostrando “consenso” sobre as questões científicas mais importantes, apesar das afirmações freqüentes divulgadas por seus advogados em contrário.

Os cientistas discordam sobre as causas e as consequências das alterações climáticas por várias razões. O Clima é um assunto interdisciplinar que requer conhecimentos de diversas áreas. Muito poucos estudiosos têm domínio de mais de uma ou duas dessas disciplinas. Incertezas fundamentais surgem a partir de evidência observacional insuficiente, divergências sobre como interpretar os dados e de como definir os parâmetros dos modelos. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), criado para encontrar e divulgar pesquisas sobre o impacto humano no clima global, não é uma fonte crível. Por ser um órgão político, não científico, ele é impulsionado por uma agenda. Ademais, os cientistas do clima, como todos os seres humanos, podem ser tendenciosos. As origens dessa tendência incluem carreirismo, concessões, busca de financiamentos, opiniões políticas e viés para confirmação.

Provavelmente, o único “consenso” entre cientistas do clima é que as atividades humanas podem ter algum efeito sobre o clima local, e que a soma de tais efeitos locais poderiam, hipoteticamente, alcançar um nível global observável. As principais questões a serem respondidas, no entanto, seriam se a interferência humana é grande o suficiente para ser medida e, caso sejam, se ela representa, ou é provável que se torne, uma alteração perigosa, fora do intervalo de variabilidade natural. Sobre estas questões, um debate científico enérgico está acontecendo nas páginas dos jornais e das revistas científicas.

Em contradição com o método científico, no entanto, o IPCC assume que sua hipótese implícita – de que o perigoso aquecimento global é resultado dos gases de efeito estufa produzidos pelo homem – é correta, e que seu único objetivo é coletar evidências e argumentos plausíveis, em favor dessa hipótese. Aquele órgão simplesmente ignora as alternativas ou a nulidade daquela hipótese, amplamente apoiadas por pesquisa empírica, segundo as quais as mudanças atualmente observadas nos índices globais do clima e do ambiente físico são o resultado de variabilidade natural.

Os resultados dos modelos climáticos globais (GCMs) invocados pelo IPCC são tão confiáveis ​​quanto os dados e teorias que os alimentam. A maioria dos cientistas do clima concorda que esses dados são seriamente deficientes e que a estimativa do IPCC para a sensibilidade climática ao CO2 é muito alta. Nós estimamos que o dobro de CO2 em relação aos níveis pré-industriais (de 280 para 560 ppm) provavelmente produziriam um aumento de temperatura na atmosfera inferior de cerca de 1°C. Por outro lado, a atividade solar recentemente tranquila e as extrapolações dos padrões dos ciclos solares futuros sugerem que um esfriamento planetário pode ocorrer ao longo das próximas décadas.

De forma semelhante, todos os cinco postulados do IPCC, ou seus pressupostos, são prontamente refutados pelas observações do mundo real, e todas as cinco reivindicações do IPCC, que dependem de provas circunstanciais, são também refutáveis. Por exemplo, em contraste com o alarmismo do IPCC, nós encontramos que nem a taxa nem a magnitude do aquecimento da superfície terrestre verificado no final do século XX (1979-2000) estavam fora da variabilidade natural normal, nem eram de forma alguma incomuns em comparação com episódios climáticos anteriores da história da Terra. Em qualquer caso, isso não pode ser invocado para “provar” uma hipótese, mas apenas para refutá-la. O IPCC não conseguiu refutar a hipótese nula de que as mudanças atualmente observadas nos índices globais do clima e do ambiente físico são resultado de variabilidade natural.

Em vez de depender exclusivamente do IPCC para consulta científica, os responsáveis ​​políticos deveriam procurar também o aconselhamento de organizações não-governamentais e cientistas independentes, livres de conflitos de interesse financeiros e políticos. A conclusão do NIPCC, elaborada a partir de extensa revisão das evidências científicas, é que qualquer impacto climático global humano está dentro da variabilidade do sistema climático de fundo natural, e não é perigosa.

Os formuladores de políticas deveriam resistir a pressões de grupos de interesse para silenciar cientistas que questionam a autoridade do IPCC, além da pretensão de falar em seu nome. O biólogo britânico Conrad Waddington escreveu, em 1941:

“É … importante que os cientistas estejam preparados para a eventualidade de as suas teorias de estimação estarem erradas. A Ciência como um todo certamente não pode permitir que seu julgamento sobre os fatos possam ser distorcidos por idéias sobre o que deveria ser verdade, ou o que alguém espera que seja verdade.”

Esta presciente declaração merece o exame cuidadoso daqueles que continuam a afirmar a crença da moda – mesmo em face da forte evidência empírica em contrário -, segundo a qual as emissões humanas de CO2 vão causar um aquecimento global perigoso.

Finalmente, gostaria de deixar aqui uma palavra àqueles que me perguntam por que “perco” tanto tempo combatendo o alarmismo ambientalista. É simples. Depois da queda do Muro de Berlim e do modelo soviético, os anticapitalistas descobriram o filão do ambientalismo. É através dele que pretendem combater o capitalismo.

Textos como o que vai abaixo, por exemplo, inundam a internet, pois eles sequer fazem segredo de suas estratégias. Leiam com atenção e tirem vocês mesmos suas conclusões:

Fazer o link entre marxismo e ecologia pode parecer à primeira vista como tentar unir dois movimentos e discursos totalmente diferentes, cada um com sua própria história e lógica: um que tem principalmente a ver com as relações de classe, e outro com a relação entre os seres humanos e o meio ambiente. Historicamente, no entanto, o socialismo tem influenciado o desenvolvimento do pensamento e da prática ecológica, enquanto a ecologia informou pensamento e a prática socialista. Desde o século XIX, a relação entre os dois tem sido complexa, interdependente e dialética.

Abordagens marxistas para a crise ecológica planetária e as transformações sócio-ecológicas necessárias para a sua resolução evoluíram rapidamente nas últimas décadas. Isto criou a base para uma luta muito mais poderosa e coletiva, …, na qual valores como “consumismo, individualismo e dominação da natureza” são substituídos por “uma nova tríade: qualidade de vida, solidariedade humana e sensibilidade ecológica.” As demandas por uma sociedade dedicada não ao lucro, mas à igualdade humana e à solidariedade têm sido historicamente associadas ao socialismo. Mais recentemente, pensadores socialistas têm dado a mesma importância à sustentabilidade ecológica, com base na crítica ambiental de Karl Marx do capitalismo, e na sua visão pioneira de desenvolvimento humano sustentável.

Fonte: Rodrigo Constantino

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