O canto do Uirapuru verdadeiro

UIARAPURU

Uirapuru é uma ave, cuja cultura popular afirma que “O homem que obtiver uma pena, terá sorte nos negócios e com as mulheres. A mulher que conseguir um pedaço do ninho terá a pessoa que ama apaixonada e fiel pelo resto da vida. Quem ouvir o canto deverá fazer um pedido, que será rapidamente realizado.”
Essa estória se espalhou entre os indígenas da região norte do país, região amazônica, incluindo também os países: Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, pois ele é nativo das florestas úmidas da América do Sul, através de lendas. Transcrevo abaixo algumas.

AS LENDAS DO UIRAPURU
1 -“Um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do grande cacique. Como não poderia se aproximar dela, pediu à Tupã que o transformasse em um pássaro. Tupã transformou – o em um pássaro vermelho telha, que à noite cantava para sua amada. Porém foi o cacique que notou seu canto. Ficou tão fascinado que perseguiu o pássaro para prendê-lo. O Uirapuru vôou para a floresta e o cacique se perdeu. À noite, o Uirapuru voltou e cantou para sua amada. Canta sempre, esperando que um dia ela descubra o seu canto e o seu encanto. É por isso que o Uirapuru é considerado um amuleto destinado a proporcionar felicidade nos negócios e no amor.”
2 -“Um pássaro de plumas vermelhas e canto perfeito é atingido por uma flecha de uma donzela apaixonada e se transforma num forte e belo guerreiro. Muito enciumado, um feio e aleijado feiticeiro toca uma linda música em sua flauta encantada e faz com que o jovem desapareça. Desde então, só restou a bela voz do guerreiro na mata. É muito difícil conseguir ver o uirapuru, mas com frequência seu canto perfeito é ouvido.”
3 – “Um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do grande cacique. Como não poderia se aproximar dela, pediu à Tupã que o transformasse em um pássaro. Tupã transformou – o em um pássaro vermelho telha, que à noite cantava para sua amada. Porém foi o cacique que notou seu canto. Ficou tão fascinado que perseguiu o pássaro para prendê-lo. O Uirapuru vôou para a floresta e o cacique se perdeu. À noite, o Uirapuru voltou e cantou para sua amada. Canta sempre, esperando que um dia ela descubra o seu canto e o seu encanto. É por isso que o Uirapuru é considerado um amuleto destinado a proporcionar felicidade nos negócios e no amor.”
A AVE UIRAPURU

O nome comum é Uirapuru –verdadeiro, nome cientifico é Cyphorhinus aradus, plumagem pardo-avermelhado e às vezes nos lados da cabeça um desenho branco, tem bico forte, pés grandes e tem apenas 12,5 cm comprimento. Irrequieto, locomove-se rapidamente em meio à folhagem ou mesmo no solo. Pode aparecer em casais ou junto com pássaros de outras espécies. Há uma lenda que diz que o uirapuru atrai bandos de aves com seu belo canto. A verdade é que ele apenas integra bandos em busca de comida. Se alimenta de frutas, mas, principalmente insetos. Após uma época de seca e logo que começa a chover, as formigas taocas saem de seus formigueiros e atacam todos os pequenos seres que encontram. Isso gera uma movimentação desesperada de vários seres na floresta, chamando a atenção de vários pássaros, inclusive o uirapuru

O CANTO DO UIRAPURU
O seu canto, curto e forte, demonstra que ele está dominando o território.
Com um canto longo e melodioso, sua “intenção” é outra: a atração para acasalamento. Esses cantos duram de dez a quinze minutos ao amanhecer e ao anoitecer, na época de construção do ninho. Durante o ano todo, o uirapuru canta apenas cerca de quinze dias. O canto do uirapuru ecoa na mata virgem. O som, puro e delicado como o de uma flauta, parece ter saído de uma entidade divina. Os caboclos mateiros dizem com grande convicção que, quando canta o uirapuru, a floresta silencia. Como se todos os cantores parassem para reverenciar o mestre. O nome aplica-se ainda a outros trogloditídeos amazônicos, cada um deles com seu canto característico mas nenhum se iguala ao uirapuru-verdadeiro.

CONCLUSÃO
Depois de muitas pesquisas, fica constatado que o tema é muito rico. O Uirapuru, além das lendas, de ser um amuleto muito apreciado pelos moradores da região amazônica, Também conhecido como corneta, ou músico, seu canto tem inspirado muitos compositores, poetas, jornalistas, pesquisadores das diversas áreas do conhecimento. O Villa Lobos compôs em 1917 a sinfonia o Uirapuru. Devido a seu canto melodioso muitas entidades levam o seu nome, como: Rádios, Escolas, Clubes, entre outros. Nas pesquisas de imagem foram encontradas poucas amostras de tatuagem, camisetas ou jóias. O tema é instigante, a imagem e o canto são inspiradores.

Uirapuru
Pardo – avermelhado,
pequenino de bico forte,
lindo é o seu trinado,
pássaro da boa sorte.
Faz silêncio a floresta,
para ouvir o seu cantar,
que ocorre só durante a festa
da sedução para acasalar;
que ocorre só durante a festa
da sedução para acasalar.
Como doce flauta, sua melodia,
compensa a grande dor,
sofrida por uma virgem índia,
por não ser possível seu amor,
e celebra a graça por Tupã concedida,
de encantá-la como Uirapuru.
Não mudou a sina, seu lindo canto,
tornou-se o homem seu predador,
por lhe atribuírem o encanto,
de trazer muita sorte ao amor;
por lhe atribuírem o encanto,
de trazer muita sorte ao amor;
de trazer muita sorte ao amor;
de trazer muita sorte ao amor.
J Coelho
Publicado no Recanto das Letras em 11/02/2009
Código do texto: T1433828

REFERÊNCIAS

Cicco, Lúcia Helena Salvetti De, Uirapuru verdadeiro, disponível em http://www.saudeanimal.com.br/uirapuru.htm, acesso em 14/04/2014º

Roriz, Jorge, O canto do Uirapuru, disponível em http://jorgeroriz.wordpress.com/o-canto-do-uirapuru/ acesso em 14/04/2014

Posted by Rita Edevanira de Sá Carneiro at 1:07 PM

 

 

Conta a lenda que um belo índio, disputado por todas as jovens da tribo, foi morto por seu rival.
Mas, como que por encanto, o corpo desapareceu, transformado em um pássaro invisível.
Desse dia em diante, apaixonadas e saudosas, as índias ouviam apenas um canto maravilhoso…
…que povoava de harmonia os recantos da floresta, mas afastava-se sempre que elas o perseguiam.
Era o belo índio que haviam perdido para sempre… …encantado no pássaro de voz mais melodiosa da mata.
Era o Uirapuru.
Seu canto soa puro e delicado, como o de uma flauta.
E a Floresta Amazônica silencia em reverência ao mestre dos pássaros.
Índios e sertanejos se emocionam.
Poucos têm a oportunidade de ouvir o pequeno pássaro, que canta apenas alguns minutos, ao alvorecer e ao anoitecer, durante os 15 dias do ano em que constrói seu ninho.
Ao som de seu canto, homens e mulheres apressam-se a fazer pedidos, confiantes de que serão prontamente atendidos.
Muitos buscam suas penas, e até mesmo pedaços do ninho, aos quais atribuem poderes mágicos.
Acreditam que uma de suas penas dará aos homens sorte no amor e nos negócios.
E um pedaço de seu ninho garantirá às mulheres a paixão e a fidelidade do amado, para sempre.
Estas são apenas algumas das muitas histórias sobre o Uirapuru,
o pequeno grande cantor da Floresta Amazônica, que encanta a todos, e inspira lendas.
O som que você vai ouvir foi gravado na Floresta Amazônica.
É uma gravação que dura 2:30 min.
Poucas pessoas ouviram este canto.
Poucos têm a oportunidade de ouvir o pequeno pássaro. Você tem essa oportunidade, agora. Ouça a gravação até o fim.
Repasse esta apresentação aos seus amigos, para que eles também possam conhecer mais sobre esse pássaro encantador, e ouvir seu canto.” (Autor desconhecido)
CARACTERÍSTICAS E CANTO
O nome Uirapuru aplica-se a vários pássaros da mesma família: uirapuru-de-peito-branco; uirapuru-veado; uirapuru-de-asa-branca; e o uirapuru-verdadeiro.
Esse tipo de pássaro é conhecido, também, como corneta, ou músico. Entretanto, o termo Uirapuru refere-se ao uirapuru-verdadeiro.
O Uirapuru é uma ave pequena de aproximadamente 12,5cm, de plumagem pardo-avermelhada e bem simples, tendo às vezes, nos lados da cabeça, um desenho branco. Tem bico forte, pés grandes e de comportamento irrequieto, movendo-se rapidamente no meio da folhagem ou do solo.
Pássaro típico da Amazônia e raramente visto, pois vive habitualmente na parte mais alta das copas das árvores da selva. Alimenta-se de frutas e insetos.
Durante o ano todo, o Uirapuru canta apenas cerca de quinze dias, pois seu cantar longo e melodioso só acontece para atrair a parceira para o acasalamento e durante a construção do ninho. Cantos que duram de dez a quinze minutos ao amanhecer e ao anoitecer.
O canto do Uirapuru ecoa na mata virgem com um som puro e delicado, como o de uma flauta. Parece ser emitido por uma entidade divina. Quando canta o uirapuru, a floresta silencia. Todos calam para reverenciar o mestre, todos seduzidos pela beleza do seu trinado.
Quem tiver o privilégio de ouvir seu canto, jamais o esquecerá.
A NARRATIVA SOBRE A PAIXÃO DO JOVEM ÍNDIO
Existe a lenda amazônica sobre o Uirapuru. Nos registros existem, basicamente, duas narrativas, entretanto, ambas revelam que a origem do Uirapuru foi a compensação dada pela divindade ao grande sofrimento causado por amor de impossível realização.
Uma das narrativas conta que um jovem índio apaixonou-se perdidamente pela esposa do grande cacique da tribo. Incapaz de viver este amor impossível pediu a Tupã, que o transformasse em ave, para amenizar a sua dor. Desde então, às noites, passou a cantar bela melodia, para fazer a sua amada dormir.
O cacique ficou tão fascinado pelo canto que perseguiu o pássaro para prendê-lo. O Uirapuru voou para a floresta e o cacique, na perseguição, nela se perdeu para sempre.
Todas as noites o Uirapuru voltava para acalentar os sonhos do seu amor, esperando, também, que um dia, a índia pudesse reconhecê-lo e despertá-lo do seu encanto.
A NARRATIVA SOBRE A PAIXÃO DE DUAS ÍNDIAS
A outra narrativa conta que duas índias muito amigas apaixonaram-se pelo mesmo guerreiro da tribo. A história do amor das duas se espalhou pela aldeia, e os mais velhos resolveram perguntar ao índio qual das duas ele amava. A resposta surpreendeu a todos , confessou seu amor pelas duas.
Pelas tradições da tribo não era permitido o casamento com as duas índias e, assim, o conselho de anciões da tribo decidiu: “o guerreiro casaria com aquela que primeiro conseguisse flechar um marreco voando”.
O casamento foi realizado. A índia que perdeu foi ficando cada vez mais triste, pois não suportava a impossibilidade de realizar seu grande amor e a saudade da amiga Procurou um lugar distante e começou a chorar. Chorou tanto, que suas lágrimas se transformaram num riacho.
Inconformada com aquela situação implorou a Tupã para ser transformada num pássaro.
Tupã compadecido atendeu-a dizendo: “de hoje e para sempre serás o Uirapuru. Terás um canto tão lindo e harmonioso que te livrarás de teu sofrimento. Quando cantares a floresta silenciará”.
SUPERSTIÇÕES
Devido às lendas, uma pena ou um pedaço do ninho, ou o próprio uirapuru, mesmo morto, são tidos como precioso talismã ao amor.
Nesse mundo de desencontros, o homem tornou-se o maior predador do uirapuru-verdadeiro, por acreditar que, por meio dos poderes atribuídos ao pássaro, realizará seus sonhos de amor.
A tendência é o desaparecimento dessa crendice pois , mais cedo ou mais tarde, entenderemos que os poderes atribuídos ao pássaro, existem no interior de cada um de nós. Esses poderes não são nada mais do que nossa capacidade de amar, capaz de realizar todos os sonhos de amor, até mesmo os considerados impossíveis.
“Uirapuru” são nossas rimas e nosso canto, sem quaisquer pretensões de silenciar a floresta, mas a de registrar mais uma das encantarias do imaginário amazônico.
FONTES
Livro “Cultura Amazônica” de João Paes Loureiro; e dos
Sites: shvoong.com/humanities; portalamazonia.globo.com; saudeanimal.com.br; uirapuru.agr.br; contoselendas.blogspot.com.
Uirapuru
Pardo – avermelhado,
pequenino de bico forte,
lindo é o seu trinado,
pássaro da boa sorte.
Faz silêncio a floresta,
para ouvir o seu cantar,
que ocorre só durante a festa
da sedução para acasalar;
que ocorre só durante a festa
da sedução para acasalar.
Como doce flauta, sua melodia,
compensa a grande dor,
sofrida por uma virgem índia,
por não ser possível seu amor,
e celebra a graça por Tupã concedida,
de encantá-la como Uirapuru.
Não mudou a sina, seu lindo canto,
tornou-se o homem seu predador,
por lhe atribuírem o encanto,
de trazer muita sorte ao amor;
por lhe atribuírem o encanto,
de trazer muita sorte ao amor;
de trazer muita sorte ao amor;
de trazer muita sorte ao amor.
J Coelho
Publicado no Recanto das Letras em 11/02/2009
Código do texto: T1433828
O escritor e poeta maranhense Humberto de Campos dedica ao canto desta ave o seguinte soneto:
Dizem que o Uirapurú, quando desata
A voz, Orfeu do seringal tranqüilo.
O passaredo, rápido, a segui-lo,
Em derredor agrupa-se na mata.
Quando o canto, veloz, muda em cascata,
Tudo se queda, comovido a ouvi-lo:
O mais nobre sabiá susta a sonata
O canário menor cessa o pipilo.
Eu próprio sei quanto esse canto é suave
O que, porém, me faz cismar bem fundo
Não é, por si, o alto poder dessa ave.
O que mais no fenômeno me espanta
É ainda existir um pássaro no mundo
Que fique a escutar quando outro canta!”

A letra de uma bela canção sobre esse pássaro, autoria de Jaconina e Murilo Latini, diz o seguinte :
“Uirapuru, uirapuru,/ seresteiro cantador do meu sertão./ Uirapuru, uirapuru,/ ele canta as mágoas do meu coração. / A mata inteira fica muda ao teu cantar. / Tudo se cala para ouvir tua canção / que vai ao céu numa sentida melodia. / Vai a Deus em forma triste de oração./ Uirapuru, uirapuru… / Ele canta as mágoas do meu coração. / Se Deus ouvisse o que te sai do coração,/entenderia que é de dor tua canção / que daria para salvar o meu sertão”.