O colecionador de sementes de frutas raras

Jorge Roriz.com –

Entrevista exclusiva

Helton Josué Teodoro Muniz, botânico, escritor e fruticultor. Casado, 29 anos, possui um sítio localizado na cidade de Campina do Monte Alegre – SP, interior paulista. Helton, planta, cultiva, coleciona e vende sementes e mudas de plantas frutíferas para todo Brasil através da internet. Este trabalho é louvável já que muitas espécies estão ameaçadas de extinção e são desconhecidas do povo brasileiro. A disseminação das sementes ajuda a evitar a extinção.

Abaixo uma entrevista exclusiva concedida para o nosso site.

Jorge Roriz – Como começou a idéia de colecionar sementes de frutas raras?

Helton – Desde criança eu já gostava de plantas, mas a idéia surgiu quando ouvi falar do Saputá em 1.998 (uma fruta amarela que dá num cipó na beira do rio Paranapanema; onde os pescadores usavam como isca e saboreavam o fruto), daí fui pesquisar num dicionário e lá encontrei algumas informações, do tipo família, nome científico e dizia que era fruto comestível. Nisso fiquei curioso e comecei a folhear o dicionário e encontrei nomes de diversas espécies frutíferas que nunca ouvi falar. Daí comecei a perguntar aos mais antigos se conheciam frutas, depois troquei sementes com outros amantes da natureza e por indicação fui conseguindo mais e mais espécies…

Jorge Roriz: Em média, quantas espécies de frutas você possue no seu sitio?

Helton – Em dezembro eu faço um balanço das espécies plantadas e das novas espécies adquiridas. No ano de 2.008 fechei com 740 espécies frutíferas, a maioria do Brasil. Nos últimos 6 meses já consegui mais umas 50 novas espécies que eu não tinha.

Jorge Roriz: Qual a fruta mais rara que você possue?

Helton – No meu pomar tenho mais de 300 espécies produzindo, das nativas do Brasil à mais rara (pela dificuldade de encontrar e produzir mudas) é a Ibátirama nou Jabuticaba de cipó (Diclidhantera elliptica). Uma outra espécie nativa muito rara que começou a frutificar após 9 anos de plantio é a Tanimbuca (Buchenavia tomentosa).

Jorge Roriz: Você recebe pedidos do exterior?

Helton – Sim eu vendo sementes para o exterior e também faço troca de sementes com outros colecionadores. O ponto mais forte de meu trabalho é a venda de mudas frutíferas via sedex para todo o Brasil. Despacho uma média de 2 a 3 mil mudas anualmente. A venda de sementes não chega a 200 pacotes anuais. Os mais interessados em cultivar frutas raras são os americanos.

Jorge Roriz – Como consegue sementes de frutas quase desconhecidas e em fase de extinção? Quem são seus fornecedores?

Helton

Não existe fornecedor de sementes de frutas desconhecidas, porquê dá muito trabalho localizar matrizes na mata, além disso, esse trabalho não enche os bolsos de dinheiro – algo que lamentavelmente domina a mentalidade dos Brasileiros. Tenho algumas pessoas colaboradoras e parceiras pelo Brasil e Mundo a fora e muitas vezes ajudo eles a localizar frutas existentes nas suas regiões fornecendo informações de ocorrencia, fenologia, ecologia etc.

Os principais institutos de Pesquisa do Brasil pagos pelo Governo tem ‘doutores’ que guardam frutas, informações e sementes a ‘sete chaves’ e quando algumas pessoas interessadas em cultivar, preservar ou até desenvolver uma cultura comercial entram em contato com tais ‘doutores’ a maioria destes se faz de desentendido do assunto. E muita gente acha que a troca de sementes e disseminação controlada de espécies é ‘biopirataria’ devendo esses serem punidos; enquanto que os “alguns piradas doutores” pagos pelo povo estão enterrando os nossos tesouros – as frutas e plantas medicinais – ou vendendo a estrangeiros em vez de possibilitar o livre acesso às nossas legitimas riquezas! Desculpe o desabafo…

Quantas pessoas trabalham no seu sitio e em média qual a quantidade de sementes vendidas por mês?

Helton – No Sitio Frutas Raras trabalham: O proprietário na identificação cientifica, cuidado com o viveiro, expedições em resgate das plantas, atendimento ao publico, divulgação. Minha esposa Emilene Martins dos Santos Muniz me ajuda no preparo das mudas e sementes para serem despachadas pelo correio, limpeza do viveiro e das sementes. Os trabalhos gerais de adubação, preparo das covas, roçadas, podas, plantio das mudas e ajuda nas expedições é feito por um empregado mensalista que estimo muito por toda dedicação. Quando o serviço é maior contrato um diarista. Assim cuidamos de um pomar de aproximadamente 4 hectares além de 2 hectares de floresta

Jorge Roriz – Qual as sementes mais procuradas?

Helton – As mudas mais procuradas são de Frutas nativas, sendo as de porte arbustivo ou anãs as mais visadas. No ultimo ano as mudas mais vendidas foram: Pitangatuba, Puruí, Saputá, Pitanga anã, Castanha de cipó, Bacuparí, Mamãozinho do mato, Marolo, Guaticuruzú etc. As sementes seguem de forma mais variada ainda, ficando difícil alistar.

Jorge Roriz – As sementes são todas de frutas nacionais ou você possue sementes de frutas originárias de outros países?

Helton – A maioria das mudas e sementes que tenho são de origem brasileira pois temos que valorizar o que é nosso! Mais eu tenho uns 35% de espécies exóticas de outros países, pois muitas delas também correm o perigo de desaparecerem se não forem cultivadas

Jorge Roriz. Cite o nome de algumas personalidades famosas que já visitaram seu sitio.

Helton – Tarcisio Meira e Gloria Meneses, Vico Iasi da Rede Globo, Gerson de Sousa da Record, Harri Lorenzi do Instituto Plantarum e o fotografo e Jornalista Silvestre Silva.

Existe algum tipo de semente que se não plantada após determinado tempo possa não germinar?

Helton – A maioria das sementes frutíferas tem um prazo de no máximo 30 dias para serem semeadas, são chamadas de recalcitrantes, ou seja que não tem casca dura e com isso perdem o poder germinativo rapidamente a medida que vão secando. Por isso só comercializamos sementes frescas colhidas do pé e embaladas de forma especial para não perder o poder germinativo.

Jorge Roriz: Existe algum cuidado especial que se deva tomar para que a semente não perca a capacidade de germinação?

Helton – O cuidado que se deve ter com as sementes recalcitrantes é plantá-las o mais rápido possível. Caso isso não seja possível as sementes devem ser envoltas com papel toalha umedecido ou pó de pinus humido. No caso de sementes com casca dura (ortodoxas) essas devem ser limpas da polpa, secas na sombra e armazenadas em sacos ou frascos pretos num lugar fresco e sombrio por até 2 anos. Mais via de regras é plantar todas as sementes assim que colhidas.

Jorge Roriz: Fale um pouco sobre seu livro.

O livro ( “Colecionando Frutas V- 1”) cita 100 espécies de frutas (68 nativas e 32 exóticas) com todas as informações históricas, cientificas, explicadas em linguagem popular, descrição da planta, técnicas de cultivo, as diversas formas de utilizar, bem como as propriedades nutricionais e medicinais de cada espécie. Possui 352 paginas e cerca de 500 fotos.

MAIORES INFORMAÇÕES:

Jorge Roriz.com – Entrevista exclusiva

Helton Josué Teodoro Muniz, botânico, escritor e fruticultor. Casado, 29 anos, possui um sítio localizado na cidade de Campina do Monte Alegre – SP, interior paulista. Helton, planta, cultiva, coleciona e vende sementes e mudas de plantas frutíferas para todo Brasil através da internet. Este trabalho é louvável já que muitas espécies estão ameaçadas de extinção e são desconhecidas do povo brasileiro. A disseminação das sementes ajuda a evitar a extinção.

Abaixo uma entrevista exclusiva concedida para o nosso site.

Jorge Roriz – Como começou a idéia de colecionar sementes de frutas raras?

Helton – Desde criança eu já gostava de plantas, mas a idéia surgiu quando ouvi falar do Saputá em 1.998 (uma fruta amarela que dá num cipó na beira do rio Paranapanema; onde os pescadores usavam como isca e saboreavam o fruto), daí fui pesquisar num dicionário e lá encontrei algumas informações, do tipo família, nome científico e dizia que era fruto comestível. Nisso fiquei curioso e comecei a folhear o dicionário e encontrei nomes de diversas espécies frutíferas que nunca ouvi falar. Daí comecei a perguntar aos mais antigos se conheciam frutas, depois troquei sementes com outros amantes da natureza e por indicação fui conseguindo mais e mais espécies…

Jorge Roriz: Em média, quantas espécies de frutas você possue no seu sitio?

Helton – Em dezembro eu faço um balanço das espécies plantadas e das novas espécies adquiridas. No ano de 2.008 fechei com 740 espécies frutíferas, a maioria do Brasil. Nos últimos 6 meses já consegui mais umas 50 novas espécies que eu não tinha.

Jorge Roriz: Qual a fruta mais rara que você possue?

Helton – No meu pomar tenho mais de 300 espécies produzindo, das nativas do Brasil à mais rara (pela dificuldade de encontrar e produzir mudas) é a Ibátirama nou Jabuticaba de cipó (Diclidhantera elliptica). Uma outra espécie nativa muito rara que começou a frutificar após 9 anos de plantio é a Tanimbuca (Buchenavia tomentosa).

Jorge Roriz: Você recebe pedidos do exterior?

Helton – Sim eu vendo sementes para o exterior e também faço troca de sementes com outros colecionadores. O ponto mais forte de meu trabalho é a venda de mudas frutíferas via sedex para todo o Brasil. Despacho uma média de 2 a 3 mil mudas anualmente. A venda de sementes não chega a 200 pacotes anuais. Os mais interessados em cultivar frutas raras são os americanos.

Jorge Roriz – Como consegue sementes de frutas quase desconhecidas e em fase de extinção? Quem são seus fornecedores?

Helton

Não existe fornecedor de sementes de frutas desconhecidas, porquê dá muito trabalho localizar matrizes na mata, além disso, esse trabalho não enche os bolsos de dinheiro – algo que lamentavelmente domina a mentalidade dos Brasileiros. Tenho algumas pessoas colaboradoras e parceiras pelo Brasil e Mundo a fora e muitas vezes ajudo eles a localizar frutas existentes nas suas regiões fornecendo informações de ocorrencia, fenologia, ecologia etc.

Os principais institutos de Pesquisa do Brasil pagos pelo Governo tem ‘doutores’ que guardam frutas, informações e sementes a ‘sete chaves’ e quando algumas pessoas interessadas em cultivar, preservar ou até desenvolver uma cultura comercial entram em contato com tais ‘doutores’ a maioria destes se faz de desentendido do assunto. E muita gente acha que a troca de sementes e disseminação controlada de espécies é ‘biopirataria’ devendo esses serem punidos; enquanto que os “alguns piradas doutores” pagos pelo povo estão enterrando os nossos tesouros – as frutas e plantas medicinais – ou vendendo a estrangeiros em vez de possibilitar o livre acesso às nossas legitimas riquezas! Desculpe o desabafo…

Quantas pessoas trabalham no seu sitio e em média qual a quantidade de sementes vendidas por mês?

Helton – No Sitio Frutas Raras trabalham: O proprietário na identificação cientifica, cuidado com o viveiro, expedições em resgate das plantas, atendimento ao publico, divulgação. Minha esposa Emilene Martins dos Santos Muniz me ajuda no preparo das mudas e sementes para serem despachadas pelo correio, limpeza do viveiro e das sementes. Os trabalhos gerais de adubação, preparo das covas, roçadas, podas, plantio das mudas e ajuda nas expedições é feito por um empregado mensalista que estimo muito por toda dedicação. Quando o serviço é maior contrato um diarista. Assim cuidamos de um pomar de aproximadamente 4 hectares além de 2 hectares de floresta

Jorge Roriz – Qual as sementes mais procuradas?

Helton – As mudas mais procuradas são de Frutas nativas, sendo as de porte arbustivo ou anãs as mais visadas. No ultimo ano as mudas mais vendidas foram: Pitangatuba, Puruí, Saputá, Pitanga anã, Castanha de cipó, Bacuparí, Mamãozinho do mato, Marolo, Guaticuruzú etc. As sementes seguem de forma mais variada ainda, ficando difícil alistar.

Jorge Roriz – As sementes são todas de frutas nacionais ou você possue sementes de frutas originárias de outros países?

Helton – A maioria das mudas e sementes que tenho são de origem brasileira pois temos que valorizar o que é nosso! Mais eu tenho uns 35% de espécies exóticas de outros países, pois muitas delas também correm o perigo de desaparecerem se não forem cultivadas

Jorge Roriz. Cite o nome de algumas personalidades famosas que já visitaram seu sitio.

Helton – Tarcisio Meira e Gloria Meneses, Vico Iasi da Rede Globo, Gerson de Sousa da Record, Harri Lorenzi do Instituto Plantarum e o fotografo e Jornalista Silvestre Silva.

Existe algum tipo de semente que se não plantada após determinado tempo possa não germinar?

Helton – A maioria das sementes frutíferas tem um prazo de no máximo 30 dias para serem semeadas, são chamadas de recalcitrantes, ou seja que não tem casca dura e com isso perdem o poder germinativo rapidamente a medida que vão secando. Por isso só comercializamos sementes frescas colhidas do pé e embaladas de forma especial para não perder o poder germinativo.

Jorge Roriz: Existe algum cuidado especial que se deva tomar para que a semente não perca a capacidade de germinação?

Helton – O cuidado que se deve ter com as sementes recalcitrantes é plantá-las o mais rápido possível. Caso isso não seja possível as sementes devem ser envoltas com papel toalha umedecido ou pó de pinus humido. No caso de sementes com casca dura (ortodoxas) essas devem ser limpas da polpa, secas na sombra e armazenadas em sacos ou frascos pretos num lugar fresco e sombrio por até 2 anos. Mais via de regras é plantar todas as sementes assim que colhidas.

Jorge Roriz: Fale um pouco sobre seu livro.

O livro ( “Colecionando Frutas V- 1”) cita 100 espécies de frutas (68 nativas e 32 exóticas) com todas as informações históricas, cientificas, explicadas em linguagem popular, descrição da planta, técnicas de cultivo, as diversas formas de utilizar, bem como as propriedades nutricionais e medicinais de cada espécie. Possui 352 paginas e cerca de 500 fotos.

MAIORES INFORMAÇÕES:

Através do e-mail: frutasraras@gmail.com

OBS: A ENTREVISTA FOI FEITA EM 2009. ATUALMENTE HELCIO VENDE APENAS MUDAS. NÃO VENDE SEMENTES.