Tiros na humanidade

ALBERTO OLIVEIRA – JORNALISTA

Os tiros disparados na noite luminosa de Paris ferem a humanidade, são uma ameaça à liberdade dos indivíduos – independente de sua nacionalidade, raça ou credo -, à igualdade entre os povos, à fraternidade que deveria unir a todos.

Os sinos que dobrarão nas históricas catedrais parisienses pelos mais de 100 mortos estarão, sim, tocando por todos os cidadãos do mundo livre. O 13 de novembro francês – como o 11 de setembro norte-americano – precisará ser lembrado sempre, para que se consiga perceber a que ponto pode chegar a barbárie, alimentada por argumentos incompatíveis com a civilização, e o quanto devemos nos esforçar para impedi-la.

Nunca o terror conseguiu curvar o homem e certamente não serão os estilhaços de Paris, o barulho dos tiros em Paris, o horror que se abateu sobre parisienses e visitantes que irão ferir de morte o avanço dos ideais de democracia, que implantarão sobre os povos o totalitarismo, o obscurantismo, ou trarão de volta as trevas da Idade Média.

Promoveu-se um banho de sangue, fez-se uma carnificina – desenho acabado da estupidez – nas ruas de uma cidade mundialmente conhecida por abrigar exemplos incontáveis da genialidade humana – no campo das artes e da arquitetura, por exemplo. Tentou-se transformar em túmulo uma cidade que “é uma festa” – na expressão imortal do escritor Ernest Hemingway -, mas não se apaga a tiros a chama que anima a liberdade dos povos.

O clarão provocado pelos disparos na noite da chamada cidade-luz iluminou o mundo, e logo reações de horror, de rejeição à insensatez levada a seu grau extremo sacudiram as redes sociais. Problemas pessoais foram esquecidos, dificuldades colocadas temporariamente de lado, para que se pudesse mostrar que não, o mundo não irá se curvar às balas do terror. Em lugar de fragilizar os povos ele servirá para uni-los em torno do objetivo comum: o de uma sociedade onde se possa viver com liberdade, igualdade e fraternidade.

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