Afirmação que vacinas contém imã é Fake News

Matéria da agência de Checagem AFP – Utilidade Pública.

Vários vídeos em que se assegura que após a vacinação contra a covid-19 o local da injeção fica magnetizado foram visualizados mais de 35 mil vezes em redes sociais ao menos desde o último dia 15 de maio. De acordo com as publicações, o fenômeno se deveria ao fato de que as vacinas contém microchips, metais pesados ou até dispositivos rastreadores. Mas, todas essas afirmações são falsas. O objetivo das vacinas é gerar uma resposta imunológica contra o novo coronavírus e elas não possuem nenhum componente capaz de provocar uma atração magnética.
“Estou com uma pessoa que se vacinou ontem. Isso é um ímã de neodímio, que, quando coloco no local onde ela foi vacinada, se adere”, ouve-se, em espanhol, em um dos vídeos que circula no Twitter, que supostamente mostra como um pequeno ímã é atraído para o braço de uma mulher chamada “Mabel”.

“Nenhuma vacina causou isso em toda a história. Logo, tem algo diferente nessas injeções atuais. Algo que faz com que imãs fiquem atraídos e presos à pessoa que recebeu a injeção. Podem ser metais, nano robôs ou rastreadores”, afirmam publicações que acompanham vídeos semelhantes no Facebook (1, 2, 3) e Telegram.

O suposto efeito de atração magnética das vacinas contra a covid-19 é relatado ainda em outras gravações que circulam nas redes e foram enviadas ao WhatsApp do AFP Checamos para verificação. O conteúdo também foi amplamente difundido em inglês, francês e espanhol.

Capturas de tela feitas em 20 de maio de 2021 de publicações no Facebook e Twitter
Componentes capazes de “magnetizar”?
“Não. Receber uma vacina contra a covid-19 não pode deixar seu braço magnetizado. Trata-se de um engano puro e simples”, disse o médico Stephen Schrantz, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Medicina de Chicago.

“Não há absolutamente nenhuma maneira de que uma vacina possa provocar a reação vista nesses vídeos”, acrescentou.

Teorias sobre “componentes” suspeitos ou secretos nas vacinas contra a covid-19 começaram a circular meses antes da aprovação emergencial dos primeiros imunizantes, em dezembro de 2020. No entanto, suas composições não são secretas. Os componentes das vacinas da Pfizer, Moderna, AstraZeneca, Sputnik, Sinovac Biotech ou Sinopharm, por exemplo, foram publicados por autoridades sanitárias.

Thomas Hope, pesquisador de vacinas e professor de Biologia Celular e do Desenvolvimento na Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, disse à AFP: “Não há nada nas vacinas com o que um ímã possa interagir; há proteínas, lipídios, sais, água e substâncias químicas que mantém o pH. Isso é basicamente tudo, de maneira que [o que é mostrado nos vídeos] não é possível”.

Uma professora é vacinada contra a covid-19 em Guadalajara, México, em 28 de abril de 2021 (Ulises Ruiz / AFP)
Explicação semelhante foi dada pelo doutor Nicolás Torres do Laboratório de Imunopatologia do IBYME-CONICET, na Argentina: “O que o vídeo mostra sequer é científico”, disse à equipe de checagem da AFP. “Nas vacinas há material genético, proteínas, um pouco de açúcar. E nenhuma destas moléculas tem propriedades magnéticas fortes para atrair um ímã”.

O pesquisador Hope detalhou, ainda, que se as vacinas tivessem traços de substâncias metálicas “teriam que colocar um pedaço de metal bastante substancial sob a pele para que os ímãs aderissem”, acrescentando que isso é impossível de ser administrado através de uma agulha.

Natalie Wade