Jorge Roriz – Jornalismo de Excelência

A reforma do sítio – Quem fazia o pagamento do material de construção?

A propriedade rural, de 173 mil m² (o equivalente a 24 campos de futebol), está dividida em duas partes. Uma delas está registrada em nome de Fernando Bittar, filho de Jacó Bittar, amigo que fundou o PT com Lula. A outra pertence formalmente ao empresário Jonas Suassuna, sócio, assim como Bittar, de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do e­­x-presidente. 

O empresário Jonas Suassuna, sócio de Fábio Luís, filho mais velho de Lula, informou que a área que ele possui fica ao lado do sítio e não contém nenhuma das benfeitorias descritas na publicação.

“Não sou dono do sítio Santa Bárbara, sou dono do sítio ao lado. No meu terreno não há nenhuma edificação, e ele foi comprado com o meu dinheiro. Não conheço a Odebrecht. Sou só vizinho e isso não me parece crime”, disse.

Nas escrituras, a área de 173 mil m² está dividida em duas partes, uma registrada em nome de Bittar e o outra no nome de Suassuna. Os dois terrenos vizinhos foram comprados em 2010, pouco antes das reformas terem início, do mesmo proprietário.

 

Patrícia disse que quem pagava as contas do material de construção era uma outra pessoa. “Era um senhor que eu não me lembro o nome, mas ele era calvo, grisalho, gordinho. Eu não me lembro o nome dele, ele vinha só pra fazer pagamento”, lembra.

Jornal Nacional: Quanto ele pagava pra você por semana?
Patrícia: Mais ou menos R$ 70 a R$ 90 mil.
Jornal Nacional: Por semana?
Patrícia: Por semana.
Jornal Naconal: Em dinheiro vivo?
Patrícia: Em dinheiro vivo.

 

 

A ex-dona de um depósito de materiais de construção no interior de São Paulo disse que a Odebrecht pagou pelas obras de um sítio frequentado pelo ex-presidente Lula e por parentes dele.

As obras teriam começado em 2010, quando Lula ainda era presidente da República.

O sítio fica em Atibaia, interior de São Paulo. A propriedade tem mais de 170 mil metros quadrados, o que equivale a 24 campos de futebol. O sítio fica no meio da mata, tem piscina e até um lago.

A equipe do Jornal Nacional conseguiu no cartório de imóveis a certidão de matrícula que comprova quem são os donos da propriedade: Fernando Bittar e Jonas Suassuna, os dois sócios de Fábio Luís da Silva, filho do ex-presidente Lula.

Na edição desta sexta-feira (29), o jornal Folha de S. Paulo diz que a Odebrecht bancou a reforma do sítio usado por Lula. A ex-dona de uma loja de materiais de construção e um prestador de serviços afirmaram ao jornal que a empreiteira Odebrecht realizou a maior parte das obras no sítio.

O jornal também afirmou que Patrícia, a dona da loja de construção, disse que a obra no sítio custou R$ 500 mil e o que foi feito: quatro suítes e área de lazer com churrasqueira.

A equipe falou com Patrícia Nunes, que não quis mostrar o rosto. Ela era mulher do dono da loja de construção que forneceu material para a obra no sítio. Ela disse que a obra foi acelerada.

“Eu me lembro do fim da obra, que eles aceleram muito a partir de 15 de dezembro, eles tinham equipes trabalhando em turnos de 24 horas e acelerou muito e aí eu me lembro que acabou no dia 15 de janeiro”, conta Patrícia.

Patrícia disse também que as obras foram coordenadas pelo engenheiro da Odebrecht, Frederico Barbosa, em 2010, que cuidou da construção do estádio do Corinthians.

Patrícia: O Frederico chegou, a gente fez um cadastro em nome do CNPJ que ele deu, que até então pra gente era Odebrecht. E aí ele começou a pedir material.
Jornal Nacional: Então não era Odebrecht?
Patrícia: Eu não me lembro mesmo, pra te falar a verdade. Eu lembro que tinha alguns CNPJs que a gente tirava nota, mas pra mim todos eram Odebrecht. Mas a razão social não era Odebrecht.

Em nota, o engenheiro disse que foi procurado por um amigo para realizar a reforma de uma residência no município de Atibaia, e que apoiou a obra durante período de recesso. E disse que nunca deu orientações sobre emissões de notas fiscais pela loja mencionada, nem realizou tais pagamentos

Em nota, a construtora Odebrecht disse que não identificou nenhuma relação com a obra.

Fonte: JN

 

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