A repercussão da demissão de Nelson Teich

Após o presidente Bolsonaro ter anunciado que mudaria o protocolo para o uso de pacientes na fase inicial, o ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu demissão do cargo.  “Não vou manchar minha história aceitando fazer o que não acredito”, afirmou Teich.

Horas antes de pedir demissão, o ex- ministro afirmou, “Está difícil conciliar os desejos de Bolsonaro com a realidade”.

“A vida é feita de escolhas e hoje eu escolhei sair […] Não é uma coisa simples estar a frente de um ministério como esse em um período tão difícil. Agradeço ao meu time que sempre esteve ao meu lado. É um trabalho de um grande time”, afirmou.

Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, comentou : “Oremos. Força, SUS. Ciência. Paciência. Fé!”

“A única medida [de Teich] foi exonerar as pessoas que estavam lá trabalhando”, disse Mandetta, em entrevista ao jornal Correio Braziliense., e completou: “perdemos um mês no combate ao novo coronavírus com Teich”.

O governador Rui Costa escreveu em uma rede social: “Inaceitável. Plena #pandemia, em 30 dias, dois ministros da Saúde demitidos por não aceitarem seguir as orientações médicas de um presidente que nada entende de Saúde. O país exige respeito à vida, à medicina e à ciência”.

O prefeito ACM Neto afirmou: “Primeiro fica clara que ele sai em função de não ter tido as condições de conduzir seu trabalho técnico deixando a ciência prevalecer e não a política, segundo porque o presidente quer impor, a qualquer custo, os seus pensamentos na área mais importante e essencial para o pais, e terceiro porque há uma descontinuidade de trabalho inacreditável”, disse.

O secretário da saúde, Fabio Vilas Boas, postou mensagem no Twitter: “Em missão de combate à pandemia no interior, fui informado da demissão do Ministro da Saúde. Lamentavelmente, estamos trocando generais no meio da batalha. Nelson Teich sai sem ter entrado. Na Bahia, com Rui Costa, o trabalho sério continua.”

“O ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu exoneração nesta manhã. E assim, com método e paciência, Bolsonaro vai destruindo o Brasil e semeando a morte e o descrédito.” Felipe Santa Cruz, presidente da OAB.

Senador e ex-governador, Jaques Wagner (PT) afirmou que não acha estranho a saída do ministro da pasta. “Estranho é um médico sério ter entrado neste Ministério”.

Quem também falou sobre a demissão foi o senador Angelo Coronel (PSD), que já está pensando no próximo nome. “Espero que não se renda aos caprichos do presidente”, escreveu.

“O ministro da Saúde @TeichNelson não resistiu à política genocida do governo federal. Ciência e esse negacionismo não têm como caminhar juntos.”
Deputada federal, Lídice da Mata.

“Bolsonaro não quer um médico para cuidar da saúde dos brasileiros. Quer um charlatão fanático. Ou um militar burocrático capaz de seguir ordens sem pensar. Dois ministros da saúde demitidos em plena pandemia não é só sinal de incompetência. É crime e está nas margens do homicídio”
Senador, Alessandro Vieira

O senador Major Olímpio, líder do PSL no Senado, afirmou que Teich “não quis jogar fora o seu diploma e nem jogar fora a sua história de vida. Ele ficou do lado da ciência e do lado da medicina”.

A deputada, Janaina Paschoal,  comentou: “Minha solidariedade ao ministro Teich, que tentou realizar seu trabalho. Que Deus nos ajude e alguém bom ainda queira assumir esse ministério.”

Em nota à imprensa, o Ministério da Saúde afirmou que Teich irá realizar uma entrevista coletiva sobre sua saída ainda nesta sexta.

Nise Yamaguchi, defensora da hidroxicloroquina, está no Palácio do Planalto e deve se reunir com Bolsonaro. Ela está cotada para ser ministra da Saúde.

O general de divisão Eduardo Pazuello – número 2 do Ministério da Saúde. fica no cargo interinamente, até que o próximo ministro seja nomeado.

Jorge Roriz

 

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