Ação da Polícia Baiana na morte do miliciano Adriano Nóbrega será investigada

A Corregedoria-Geral da Secretaria de Segurança Pública da Bahia abriu investigação sobre as circunstâncias da morte do ex-PM Adriano da Nóbrega. Ele era tido como chefe de uma milícia do Rio.

O endereço onde a polícia afirma ter encontrado o ex-PM Adriano da Nóbrega, um dos milicianos mais procurados do país, é um sítio que fica em Esplanada, a 170 quilômetros de Salvador.

A Secretaria de Segurança da Bahia informou que chegou primeiro a um outro imóvel usado como esconderijo com informações do Serviço de Inteligência da Polícia Civil do Rio. No local, prenderam um homem identificado como Leandro que estava com um revólver e duas espingardas. Segundo a secretaria, foi Leandro que levou os polícias do Batalhão de Operações Especiais até o sítio onde houve o confronto.

Segundo o Bope da Bahia, mesmo sozinho e cercado por oito homens, Adriano resistiu à prisão e atirou com uma pistola. Com ele, a polícia diz ter apreendido 13 celulares. Numa foto recente na região, Adriano aparecia com um fuzil nas costas, que não foi encontrado pelos agentes.

O sítio onde o miliciano estava escondido pertence ao vereador Gilsinho de Dedé, do PSL. O vereador diz que estava viajando, que o imóvel foi invadido e que não conhecia Adriano.

“Na realidade, assim como todo mundo, eu fui tomado pela notícia por um vizinho”, afirmou.

Há dez dias, Adriano conseguiu escapar de uma ação organizada por agentes da Bahia e do Rio. Ele estava num condomínio de luxo, na Costa do Sauípe, litoral da Bahia. Ele estava foragido havia um ano, desde a Operação Intocáveis, do Ministério Público do Rio, que tem como alvo a milícia na Zona Oeste do Rio. Adriano é apontado como um dos chefes da milícia.

O advogado de Adriano, Paulo Emílio Catta Preta, disse que ele temia ser assassinado.

“Ele falou que estava temendo pela vida dele, porque ele tinha certeza, segundo ele me disse, que essa operação para prendê-lo não era para prendê-lo verdadeiramente, mas era para matá-lo. Ele falou em queima de arquivo. Ele falou: eu temo por ser uma queima de arquivo”.

O secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, rejeita essa versão.

“Ele foi socorrido e levado a um hospital, mas acabou chegando morto. A gente não tem motivo algum para esconder nenhum detalhe da diligência da operação, nós temos total transparência dos nossos atos, até para, inclusive, acabar com essa estapafúrdia teoria de que houve qualquer tipo de tentativa de se ocultar uma prova de interesse das investigações do estado do Rio de Janeiro”, disse.

A Corregedoria-Geral da Secretaria de Segurança Pública da Bahia investiga se houve resistência. Os corregedores querem saber se os agentes atiraram em legítima defesa ou se houve execução.