Advogado faz graves denúncias contra Janot

Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS,

O advogado Willer Tomaz de Souza, que trabalhou na JBS acusou o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot de “fraude” no pedido de prisão feito contra ele em maio no âmbito da Operação Patmos, um desdobramento da Lava-Jato.

Willer disse ter ficado 76 dias preso sem prestar nenhum depoimento.

De acordo com ele, Janot mentiu ao sustentar que ele tinha ligações com os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR) e que atuou “possivelmente” em benefício deles para impedir que ocorresse o acordo de delação premiada da JBS.

Willer é acusado de atuar como intermediário entre a JBS e Villela para que o procurador repassasse à empresa dados sobre investigações em curso.

Willer Tomaz sustentou que, ao insinuar sua ligação com os senadores, Janot tentava fazer com que seu caso permanecesse nas mãos do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que envolvia pessoas com foro privilegiado. Caso contrário, o processo contra si iria à primeira instância, onde seria mais difícil prever se o pedido de prisão seria ou não deferido, ainda na versão de Tomaz.

Existe um áudio da PF em que uma procuradora confirma esta afirmação

O advogado também afirmou  que Janot possuía o objetivo de atingir o procurador Villela porque este defendia a eleição de sua opositora Raquel Dodge para sucedê-lo à frente da Procuradoria-Geral da República. Para evitar que ela assumisse, era necessário derrubar o presidente Michel Temer, que dava sinais de que iria indicá-la ao posto em setembro, quando venceu o mandato de Janot.

Relator da CPMI e membro da tropa de choque de Temer no Congresso, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) afirmou que o depoimento “leva à conclusão da existência e um complô que visava derrubar o presidente”.

“Tenho convicção de que Janot foi aquele que comandou todo esse processo. O [procurador] Ângelo era defensor da candidatura de Raquel Dodge”, disse.

O depoimento pode gerar um inquérito policial contra Janot.“(O depoimento) É muito grave no meu modo de ver. Isso sinaliza algo que eu sempre entendi como correto que é a existência de um complô que envolveu uma série de pessoas”, afirmou Marun a jornalistas ao deixar a reunião por alguns instantes. “São empresas e até membros de instituições que visavam derrubar o presidente Michel Temer.” relator da CPMI da JBS, deputado Carlos Marun (PMDB-MS).

 

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