Jorge Roriz – Jornalismo de Excelência

Anvisa aprova o teste em humanos do soro do Instituto Butantan contra Covid

Nesta terça- feira (25/05), a  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), autorizou o início dos testes em humanos do soro anti-SARS-CoV-2, desenvolvido pelo Instituto Butantan.

Esta será a primeira vez  no mundo que um  soro será aplicado em humanos para tratar a Covid – 19.. Avaliações iniciais revelaram que a terapia pode diminuir a gravidade dos casos da doença.

Em março, a Anvisa já havia dado a anuência para a pesquisa, mas mediante a assinatura de um termo de compromisso que previa a entrega de informações complementares que ainda não estavam disponíveis naquele momento. As informações foram entregue e a Anvisa autorizou os testes.

O soro já demonstrou em testes pré-clínicos que é seguro e efetivo em dois tipos de estudos animais. Isso se complementa à expertise do Butantan na produção de outros soros. O Butatan, nesse momento, é responsável pelo fornecimento de 100% dos soros do Brasil”, explicou Dimas.

Para obter o soro, o novo coronavírus foi isolado de um paciente brasileiro e, na sequência, cultivado, inativado, submetido a vários testes em camundongos e, por último, aplicado em cavalos. Os animais, após receberem o vírus inativado, produziram anticorpos. O plasma resultante foi coletado e processado nas instalações do Butantan, dando origem ao produto.

Fábrica já iniciou as obras

O Instituto Butantan iniciou as obras para a construção de uma nova fábrica de soros com linha de produção completa, na qual será possível elaborar inclusive soros em pó, e para a edificação do Museu da Vacina, novo espaço voltado à divulgação científica.

O Centro Avançado de Produção de Soros terá 6,6 mil metros quadrados e cinco pavimentos, e deve ficar pronto em 2023. Quando entrar em operação, a fábrica absorverá, em uma única planta, a produção de todos os 12 tipos de soros que o instituto produz, e fornece ao Ministério da Saúde, contra toxinas de animais peçonhentos e micro-organismos.

Com investimentos de R$ 34,5 milhões, a fábrica contemplará desde o processamento do plasma até o envasamento dos frascos e terá um liofilizador. O aparelho vai permitir que os produtos líquidos do Butantan sejam desidratados e transformados em pó, mantendo as propriedades neutralizantes mesmo sem refrigeração. “Isso fará com que os soros estejam mais acessíveis, principalmente em regiões inóspitas onde os acidentes com animais peçonhentos são muito comuns”, explica a gerente do Núcleo de Produção de Soros, Fan Hui Wen.

Os soros são produzidos a partir da inoculação dos antígenos do veneno, toxina ou vírus em cavalos, o que resulta na produção de anticorpos hiperimunes. O plasma onde estão esses anticorpos é coletado e submetido a processamento industrial, utilizando métodos físico-químicos, purificado, formulado e envasado.

Fonte: Instituto Butantan

JR