As doenças extintas estão voltando e a adesão as vacinas é baixa

Mais de 6 milhões de pessoas que pertencem aos chamados grupos prioritários ainda não se vacinaram contra a gripe este ano. De acordo com o Ministério da Saúde, gestantes e crianças foram os que menos procuraram as salas de imunização, com cobertura de 76,4% e 73,6%, respectivamente. Ao todo, 493.710 grávidas e 3,3 milhões de crianças com idade entre 6 meses e 5 anos ainda não receberam a dose. Segundo o último boletim epidemiológico da pasta, 50,4 milhões de pessoas foram imunizadas. Desse total, 20,2 milhões são idosos; 4,4 milhões, trabalhadores da saúde; 2,2 milhões, professores; 358,9 mil, puérperas (até 40 dias de pós-parto) e 643,3 mil, indígenas. Conforme o balanço, em todos esses grupos, atingiu-se a meta de vacinação, fixada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 90%.

A menos de um mês para o início da campanha nacional de vacinação contra sarampo e poliomielite, o Ministério da Saúde faz um alerta para a baixa procura pelas doses. Nas redes sociais, usuários compartilham publicações questionando a segurança das vacinas.

“O lado obscuro das vacinas”: esse é o nome de uma das várias páginas em uma rede social que defendem o fim da obrigatoriedade da vacinação no país. As postagens variam entre artigos científicos e listas com supostas substâncias tóxicas nas doses distribuídas pelo governo.

Um movimento que não é de agora: se desenrola desde a década de 90 com a publicação de um estudo britânico – que depois se mostrou falso – sobre a suposta relação de vacinas com o desenvolvimento de autismo. Apesar disso, a ideia é defendida ainda hoje por pessoas que questionam a segurança das doses.

Outras, no entanto, optaram por caminhos alternativos de prevenção. É o caso da estudante Natasha Alonso que, aos 21 anos, tem apenas TRÊS carimbos na caderneta. Isso significa doze tipos de doses a menos do que as previstas no calendário nacional de vacinação para jovens com até 19 anos. Ela afirma que não toma as vacinas porque ela faz um tratamento homeopático trimestral.

O tratamento homeopático consiste em tratar doenças com pequenas doses de líquidos extraídos de vegetais e minerais. A opção não exclui a possibilidade de tomar vacina, o que, no caso da Natasha, só ocorre por indicação médica.

Para o Ministério da Saúde, essa escolha pode trazer prejuízos a longo prazo com o surgimento de doenças já erradicadas no Brasil, como poliomielite e sarampo. Nos últimos dois anos, a cobertura vacinal ficou abaixo da meta estipulada pelo governo, de 95%, como estipula a Organização Mundial da Saúde.

Segundo o governo, o Brasil está livre da poliomielite – causadora da paralisia infantil – desde 1994. Já o sarampo está controlado desde 2001, mas o risco de propagação aumentou depois da vinda de imigrantes venezuelanos que não estavam vacinados. Isso cria uma impressão errada de que as doenças não existem, como explica a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues.

Mais do que colocar a própria vida em risco, a falta de vacinação é perigosa para quem não pode receber a dose por causa da idade. É o que defende o infectologista e professor de imunologia clínica Faculdade de Medicina da USP, Dr Ésper Kallás.

A campanha nacional de vacinação contra a poliomielite e sarampo será entre os dias 6 e 31 de agosto.

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