Jorge Roriz – Jornalismo de Excelência

Astrazenica – Promessa de entrega de vacinas até o final de julho, não será cumprida

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) não cumprirá o prazo de entrega de 100 milhões de doses da vacina da AstraZeneca contra a Covid-19 ao PNI (Programa Nacional de Imunização) até o final deste mês, mas mantém o compromisso de encerrar o ano com 200 milhões de doses entregues e de enviar mais 180 milhões de doses do imunizante em 2022, disse à Reuters Mauricio Zuma, diretor de Biomanguinhos, unidade produtora de vacinas da Fiocruz.

Até o momento, foram entregues 69,9 milhões de doses da vacina, sendo 65,9 milhões envasadas no Brasil pela Fiocruz e 4 milhões importadas prontas da Índia.

Em entrevista à Reuters na última sexta (9), Zuma disse que a marca de 100 milhões de doses entregues deve ser atingida no fim de agosto, um mês depois do previsto inicialmente. O atraso, acrescentou, é consequência da demora na chegada do IFA (insumo farmacêutico ativo) da vacina, necessário para a Fiocruz envasar o imunizante em suas instalações.

“A expectativa da AstraZeneca de antecipar lotes de IFA não se confirmou, devido à alta demanda pelo produto. O contrato está sendo cumprido, mas o ritmo estabelecido no contrato não permite concluir em julho, possivelmente em fins de agosto”, previu.

ENTÃO O ANÚNCIO DO MINISTRO DAS 100 MILHÕES DE DOSES EM JULHO ERA APENAS UMA PREVISÃO SEM BASE NA DATA DE ENTREGA QUE CONSTA NO CONTRATO COM UMA PREVISÃO DE 30 MILHÕES A MAIS ( 100 – 70 )

“Pensávamos que a maior dificuldade seria escalonar nossa capacidade de processamento em Biomanguinhos, mas aconteceu o contrário. Neste momento a AstraZeneca está buscando novamente uma aceleração no fornecimento de IFA a partir de agosto.”

Recentemente, foi anunciado um acordo entre Fiocruz e AstraZeneca para viabilizar a disponibilidade de IFA suficiente para produzir 70 milhões de doses.

O início das entregas de doses da vacina feitas com IFA produzido no Brasil pela Fiocruz também deverá atrasar, afirmou Zuma.

Inicialmente, a Fiocruz previa fazer as primeiras entregas da vacina 100% feita no Brasil em outubro, mas trabalhava com a expectativa de uma antecipação. No entanto, o diretor de Biomanguinhos estima agora que a entrega dessas vacinas feitas com IFA produzido localmente fique para novembro. Além disso, o acordo de transferência de tecnologia com a AstraZeneca levou meses para ser finalizado após intensas negociações.

“Está previsto para outubro ou novembro. Difícil prever com precisão. Os lotes precisarão passar por testes longos no exterior, e ainda tem aprovações pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Só mais à frente poderemos refinar mais as previsões”, disse.

“A produção dos lotes de pré-validação deverão iniciar ainda este mês. São muitos procedimentos que precisam ser implementados e estamos dentro de nossas expectativas”, garantiu.

Apesar do ritmo mais lento de chegada de IFA, o diretor de Biomanguinhos mantém a meta de a Fiocruz entregar neste ano 200 milhões de doses da vacina da AstraZeneca à campanha de vacinação contra a Covid-19, doença que matou mais de 533 mil pessoas no Brasil, segundo maior número do mundo atrás apenas dos Estados Unidos.

Zuma assegurou ainda que as entregas de vacinas para o ano que vem também consta do planejamento.

Especialistas têm afirmado que a vacinação contra a Covid-19 deverá ocorrer anualmente, como já acontece, por exemplo, com a campanha de imunização contra a gripe.

Além da vacina da AstraZeneca, a campanha de vacinação contra a Covid-19 tem usado a CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac e que é envasada no Brasil pelo Instituto Butantan, e os imunizantes da Pfizer com a BioNTech e da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson e que, ao contrário das demais vacinas, é aplicada em dose única.

Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 53% da população vacinável recebeu uma dose de uma vacina contra Covid-19 e por volta de 19% receberam as duas doses ou a dose única.