Ministro da Secretaria do governo diz que Bolsonaro não apoia manifestação contra instituições

O general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria-Geral do governo de Jair Bolsonaro, afirma que “em nenhum momento o presidente sequer pensa em atacar as instituições” ao divulgar em um grupo restrito um vídeo de apoio às manifestações do dia 15 de março.

A informação de que Bolsonaro tinha compartilhado as imagens geraram reação de políticos como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff. O decano do STF (Supremo Tribunal Federal), Celso de Mello, fez uma manifestação dura em que chegou a dizer que, se a notícia for confirmada, Bolsonaro “não está à altura do cargo”.

Segundo Ramos, o presidente apenas divulgou um vídeo emotivo, que o elogia e não ataca o Congresso Nacional, em um grupo reservado e restrito.

“O presidente não fez o vídeo. E o vídeo não ataca o Congresso em nenhum momento. As cenas são emotivas, mostram o presidente levando a facada [na campanha eleitoral de 2018], defendem o governo. Ele ficou emocionado e compartilhou com amigos, em um grupo reservado e restrito”, diz o general.

Ele afirma ainda que Bolsonaro “não postou o vídeo nas redes sociais. Não tem nada no Instagram, no Facebook, no Twitter. Não há pronunciamento ou manifestação do presidente atacando o Congresso. Em nenhum momento o presidente sequer pensa em atacar as instituições. Ele apenas compartilhou uma manifestação de apoio ao governo dele”.

Ramos finaliza: “Qualquer outra coisa, como o próprio presidente afirmou, é ilação”.

Atrevimento de Bolsonaro não tem limites, afirma o decano do STF, Celso de Mello

a Folha:

O decano do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Celso de Mello, afirmou, após ser procurado pela Folha, que o vídeo publicado em uma rede social do presidente Jair Bolsonaro (PSL), comparando o tribunal a uma hiena, evidencia que “o atrevimento presidencial parece não encontrar limites”.(…)

Atrevimento de Bolsonaro não tem limites, afirma Celso de Mello sobre vídeo publicado por Bolsonaro

A íntegra da resposta de Celso de Mello após ser questionado pelo jornal sobre o vídeo: A ser verdadeira a postagem feita pelo Senhor Presidente da República em sua conta pessoal no “Twitter”, torna-se evidente que o atrevimento presidencial parece não encontrar limites na compostura que um Chefe de Estado deve demonstrar no exercício de suas altas funções, pois o vídeo que equipara, ofensivamente, o Supremo Tribunal Federal a uma “hiena” culmina, de modo absurdo e grosseiro, por falsamente identificar a Suprema Corte como um de seus opositores.

Esse comportamento revelado no vídeo em questão, além de caracterizar absoluta falta de “gravitas” e de apropriada estatura presidencial, também constitui a expressão odiosa (e profundamente lamentável) de quem desconhece o dogma da separação de poderes e, o que é mais grave, de quem teme um Poder Judiciário independente e consciente de que ninguém, nem mesmo o Presidente da República, está acima da autoridade da Constituição e das leis da República.

É imperioso que o Senhor Presidente da República —que não é um “monarca presidencial”, como se o nosso país absurdamente fosse uma selva na qual o Leão imperasse com poderes absolutos e ilimitados— saiba que, em uma sociedade civilizada e de perfil democrático, jamais haverá cidadãos livres sem um Poder Judiciário independente, como o é a Magistratura do Brasil.