Bolsonaro ataca ministro do STF, Alexandre de Moraes - Reação

“Eu não engoli ainda essa decisão do senhor Alexandre de Moraes. Não engoli. Não é essa a forma de tratar um chefe do Executivo, que não tem uma acusação de corrupção e faz tudo possível pelo seu País”, declarou. Para Bolsonaro, a decisão de Moraes foi “política”.

“Como o senhor Alexandre de Moraes foi parar no Supremo? Amizade com o senhor Michel Temer, ou não foi?”, criticou Bolsonaro.

O ministro Luís Roberto Barroso saiu em defesa do colega, afirmando que Moraes chegou ao Supremo “após sólida carreira acadêmica e de haver ocupado cargos públicos relevantes, sempre com competência e integridade”. “No Supremo, sua atuação tem se marcado pelo conhecimento técnico e pela independência. Sentimo-nos honrados em tê-lo aqui”, afirmou Barroso, em nota.

Em sua conta pessoal no Twitter, o ministro Gilmar Mendes disse que as decisões judiciais “podem ser criticadas e são suscetíveis de recurso, enquanto mecanismo de controle”.

“O que não se aceita – e se revela ilegítima – é a censura personalista aos membros do Judiciário. Ao lado da independência, a Constituição consagra a harmonia entre poderes”, rebateu Gilmar.

Tempos estranhos! Aonde vamos parar?’, questionou ao Estado Marco Aurélio Mello, em referência às declarações do presidente.

Repúdio. Em nota, a diretoria da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) manifestou “total repúdio” às declarações de Bolsonaro. Para a Ajufe, o Poder Judiciário é “um dos poderes da República, e é inadmissível que uma autoridade pública não reconheça esse princípio basilar ou queira se sobrepor a essa realidade constitucional”.

“É inadmissível que magistrados, no exercício das funções constitucionais, dentro do seu poder de decidir com base em seu livre convencimento motivado, sejam alvos de ofensas pessoais. Esses ataques somente demonstram a importância de se ter um Judiciário cada vez mais forte e independente e que exerça sua função de colocar limites constitucionais à atuação de qualquer um dos poderes, no âmbito do Estado Democrático de Direito”, afirmou a Ajufe.