Jorge Roriz – Jornalismo de Excelência

Brasil perde quatro posições no ranking mundial de liberdade de imprensa

O Brasil perdeu quatro posições no ranking mundial de liberdade de imprensa, divulgado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras. O relatório destaca ataques do presidente Jair Bolsonaro contra jornalistas.

A organização Repórteres Sem Fronteiras avaliou a segurança dos jornalistas, independência dos meios de comunicação, casos de agressões e transparência para obter informações em 180 países.

O Brasil ocupa agora a posição 111 num total de 180 países – atrás da Etiópia, Kuwait, Líbano e Bolívia. É o quarto ano consecutivo de queda.

O Brasil está na chamada parcela vermelha – países onde a situação da imprensa é considerada difícil – e a um passo de entrar no pior nível de liberdade de imprensa, a preta.

Segundo a ONG, o agravamento da crise sanitária piorou a situação no mundo todo. Nesse quadro, apenas 12 países têm um ambiente considerado favorável ao trabalho jornalístico

Na América Latina, jornalistas foram acusados de semear o pânico e superestimar a crise, apesar dos números que atestam a gravidade da pandemia. O estudo mostra que a queda de países da América Latina no ranking tem relação direta com o negacionismo na pandemia.

Na Guatemala, o presidente Alejandro Giammattei sugeriu colocar os meios de comunicação em quarentena.

O documento reforça que os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e da Venezuela, Nicolás Maduro, disseminaram desinformação e recomendaram o uso de medicamentos sem eficácia comprovada.

Em relação ao Brasil, especificamente, a organização Repórteres Sem Fronteiras considera que o país vive “um ambiente tóxico para a imprensa”, “desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder em 2018”.

O documento ressalta que “insultos, estigmatização e orquestração de humilhações públicas de jornalistas se tornaram a marca registrada do presidente, sua família e seu entorno e que esses ataques dobraram de intensidade desde o início da pandemia de coronavírus.” Segundo a ONG, os ataques têm objetivo de desviar a atenção do que considera uma “gestão desastrosa da crise sanitária”.

O secretário-geral, Christophe Deloire, afirmou que, em 70% dos países avaliados, o jornalismo está completamente cerceado ou seriamente impedido, e disse que, em um mundo onde há cada vez mais disseminação de fake news, o jornalismo é a melhor vacina contra o vírus da desinformação.

O Palácio do Planalto não quis se manifestar.

Fonte: Jornal Nacional