Câncer do intestino - Sintomas, tratamentos e causas

O câncer de intestino abrange os tumores que se iniciam na parte do intestino grosso chamada cólon e no reto (final do intestino, imediatamente antes do ânus) e ânus. Também é conhecido como câncer de cólon e reto ou colorretal.

É tratável e, na maioria dos casos, curável, ao ser detectado precocemente, quando ainda não se espalhou para outros órgãos. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso.

Atenção: As informações neste portal pretendem apoiar e não substituir a consulta médica. Procure sempre uma avaliação no Serviço de Saúde.

Estatísticas
Estimativa de novos casos: 36.360, sendo 17.380 homens e 18.980 mulheres (2018 – INCA)

Número de mortes: 18.867; sendo 9.207 homens e 9.660 mulheres (2017 – SIM)

O que aumenta o risco?
Os principais fatores relacionados ao maior risco de desenvolver câncer do intestino são: idade igual ou acima de 50 anos, excesso de peso corporal e alimentação não saudável (ou seja, pobre em frutas, vegetais e outros alimentos que contenham fibras). O consumo de carnes processadas (salsicha, mortadela, linguiça, presunto, bacon, blanquet de peru, peito de peru e salame) e a ingestão excessiva de carne vermelha (acima de 500 gramas de carne cozida por semana) também aumentam o risco para este tipo de câncer.

Outros fatores relacionados à maior chance de desenvolvimento da doença são história familiar de câncer de intestino, história pessoal de câncer de intestino, ovário, útero ou mama, além de tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.

Doenças inflamatórias do intestino, como retocolite ulcerativa crônica e doença de Crohn, também aumentam o risco de câncer do intestino, bem como doenças hereditárias, como polipose adenomatosa familiar (FAP) e câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC). Pacientes com essas doenças devem ter acompanhamento individualizado.

A exposição ocupacional à radiação ionizante, como aos raios X e gama, pode aumentar o risco para câncer de cólon. Assim, profissionais do ramo da radiologia (industrial e médica) devem estar mais atentos.

Como prevenir?
A manutenção do peso corporal adequado, a prática de atividade física, assim como a alimentação saudável são fundamentais para a prevenção do câncer de intestino. Uma alimentação saudável é composta, principalmente, por alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, grãos e sementes. Esse padrão de alimentação é rico em fibras e, além de promover o bom funcionamento do intestino, também ajuda no controle do peso corporal. Manter o peso dentro dos limites da normalidade e fazer atividade física, movimentando-se diariamente ou na maior parte da semana, são fatores importantes para a prevenção deste tipo de câncer.

Verifique se seu peso está adequado com uma calculadora de IMC.

Não fumar e não se expor ao tabagismo.

Sinais e sintomas
Os sintomas mais frequentemente associados ao câncer do intestino são:

sangue nas fezes;
alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alternados);
dor ou desconforto abdominal;
fraqueza e anemia;
perda de peso sem causa aparente.
alteração na forma das fezes (fezes muito finas e compridas)
massa (tumoração) abdominal

Esses sinais e sintomas também estão presentes em problemas como hemorroidas, verminose, úlcera gástrica e outros, e devem ser investigados para seu diagnóstico correto e tratamento especifico.

Na maior parte das vezes esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não melhorarem em alguns dias.

Detecção precoce
A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar um tumor numa fase inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento.

A detecção pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames em pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento) mas pertencentes a grupos com maior chance de ter a doença.

Os tumores de cólon e reto (ou colorretal) podem ser detectados precocemente através de dois exames principais: pesquisa de sangue oculto nas fezes e endoscopias (colonoscopia ou retossigmoidoscopias).

Os principais sinais e sintomas sugestivos deste câncer são:

· Sangramento nas fezes
· Massa (tumoração) abdominal
· Dor abdominal
· Perda de peso e Anemia
· Mudança de hábito intestinal

Na maior parte das vezes esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não melhorarem em alguns dias.

Além do diagnóstico precoce, a Organização Mundial da Saúde preconiza que os países com condições de garantir a confirmação diagnóstica, referência e tratamento, realizem o rastreamento do câncer do colon e reto em pessoas acima de 50 anos, por meio do exame de sangue oculto de fezes. Os casos positivos neste exame deverão fazer uma colonoscopia ou retossigmoidoscopia, onde o médico visualizará a parte interna do intestino buscando o câncer ou pólipos que possam vir a se transformar em câncer.

Diagnóstico
O diagnóstico requer biópsia (exame de pequeno pedaço de tecido retirado da lesão suspeita). A retirada da amostra é feita por meio de aparelho introduzido pelo reto (endoscópio).

Tratamento
O câncer de intestino é uma doença tratável e frequentemente curável. A cirurgia é o tratamento inicial, retirando a parte do intestino afetada e os gânglios linfáticos (pequenas estruturas que fazem parte do sistema de defesa do corpo) dentro do abdome. Outras etapas do tratamento incluem a radioterapia (uso de radiação), associada ou não à quimioterapia (uso de medicamentos), para diminuir a possibilidade de recidiva (retorno) do tumor.

O tratamento depende principalmente do tamanho, localização e extensão do tumor. Quando a doença está espalhada, com metástases para o fígado, pulmão ou outros órgãos, as chances de cura ficam reduzidas.

Após o tratamento, é importante realizar o acompanhamento médico para monitoramento de recidivas ou novos tumores.

Fonte: INCA – Instituto Nacional do Câncer

 

O consumo habitual de café poderia aumentar as possibilidades de sobreviver ao câncer de intestino e proteger os pacientes de reincidências, informa estudo divulgado pela publicação britânica Journal of the Clinical Oncology.

Com a mudança do padrão internacional de 50 anos para 45 anos de idade, por causa do aumento da frequência do câncer colorretal na população adulta , especialistas passaram a recomendar às pessoas que façam a prevenção da doença na faixa de 45 anos a 50 anos e não mais somente a partir dos 50 anos. Os casos têm aumentado em todo o mundo

“Acima dos 45 anos, é uma recomendação forte para fazer a prevenção. E acima dos 50 anos, é obrigatória a prevenção”, disse hoje à Agência Brasil o coloproctologista Paulo Maurício Chagas Bruno, membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e diretor da Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci).

A morte do ator Chadwick Boseman, que interpretou o personagem Pantera Negra no cinema, em decorrência do câncer de cólon, serviu como alerta para a prevenção do câncer colorretal, que abrange o cólon e o reto. A necessidade de prevenção da doença que matou o ator aos 43 anos está sendo lembrada neste mês de setembro. Para informar a população sobre hábitos que podem prevenir o câncer colorretal, a SBCP está promovendo a Campanha de Prevenção do Câncer de Intestino. Em razão da pandemia do novo coronavírus, a campanha será divulgada este ano no Facebook, no Instagram e no Portal da Coloproctologia.

A Abrapreci também está divulgando vídeos sobre a importância da prevenção do câncer colorretal, que é o terceiro e quarto mais frequentemente encontrado em homens e mulheres, respectivamente, informou Chagas Bruno. O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) estima que, em 2020, serão registrados no Brasil mais 40.990 casos da doença – 20.520 em homens e 20.470 em mulheres –, com aumento de mais de 12% em relação ao índice anterior. “A incidência está realmente aumentando”, disse o médico.

Exames
Paulo Maurício Chagas Bruno explicou que, inicialmente, a prevenção em grande escala é feita em pesquisa de sangue oculto nas fezes por meio do exame de hemoglobina humana, que não precisa de dieta prévia. Se o resultado for positivo, o paciente deve fazer a colonoscopia, quando os médicos colhem material e tiram pólipos, que são precursores do câncer. Os pólipos de pequeno tamanho têm baixa malignidade, mas, à medida que vão crescendo, aumenta a possibilidade de tumor. A retirada dos pólipos reduz a incidência de câncer em quase 40% da população. Estima-se que, em média, 28% das pessoas com mais de 50 anos tenhampólipos no intestino. A colonoscopia é um exame de imagem feito com a introdução de um aparelho flexível do ânus até o intestino, com o paciente anestesiado.

O médico destacou também a importância de hábitos alimentares saudáveis, com o consumo de muitas frutas, legumes, verduras e cereais, que “diminuem substancialmente a incidência de câncer”. Ele alertou que carnes vermelhas e alimentos defumados e com conservantes “aumentam a incidência de câncer”; assim como o consumo de álcool em excesso. De acordo com o coloproctologista, a obesidade mórbida também é fator de aumento da incidência do câncer colorretal. Isso ocorre também com o tabagismo, hábito que chega a ampliar em 21% a incidência da doença em homens e em 12% nas mulheres.

Para evitar o câncer colorretal, os especialistas recomendam ainda a prática de exercícios físicos regulares e a ingestão de muita água – cerca de 2 litros por dia.

Família
Chagas Bruno salientou ainda a incidência de câncer familiar, que acomete 10% da população e, em alguns grupos, chega a até 15% ou 20%. A maioria dos cânceres é esporádica, mas, se uma pessoa tiver algum parente de primeiro grau com câncer colorretal em torno de 50 anos de idade, a possibilidade de ele também ter essa doença é três vezes maior do que a população normal. Se o parente de primeiro grau tem câncer estiver com menos de 45 anos, isso aumenta em quatro vezes a possibilidade de alguém da família desenvolver o câncer.

O médico enfatiza que a prevenção do câncer colorretal, além de diminuir o sofrimento da família e do paciente, significa a redução de gastos com quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Ele lembrou que, embora os convênios de planos de saúde e mesmo o Sistema Único de Saúde (SUS) paguem as cirurgias, existem elementos paralelos que encarecem muito o tratamento, como bolsas de colostomia, alimentação e medicamentos especiais, “com muito sofrimento psíquico”.

A pandemia da covid-19 levou muitas pessoas a protelar a realização de exames preventivos, interrompendo processos de diagnóstico. Por isso, a SBCP teme que o índice de câncer intestinal aumente, porque a demora na descoberta pode agravar a doença e dificultar o tratamento e a cura.

Preocupação
Estudo feito por pesquisadores da University College London, que se encontra em fase de revisão e será publicado no The British Medical Journal, confirma que os índices de câncer em geral tendem a piorar pelo fato de muitas pessoas terem adiado exames e tratamentos por receio do contágio da covid-19 em unidades de saúde.

Os pesquisadores britânicos analisaram dados semanais de oito hospitais, ou o equivalente a 3,8 milhões de pacientes, e chegaram à conclusão de que caíram 76% os encaminhamentos urgentes de pessoas com suspeita de câncer e 60% os agendamentos de quimioterapia em comparação com o período anterior à pandemia. A estimativa é que cerca de 30 mil pacientes com câncer recém-diagnosticado antes da pandemia morrerão em até um ano, na Inglaterra.

Sintomas
De acordo com a SBCP, o principal sinal de alerta para o câncer colorretal é a presença de sangue nas fezes, mas outros sintomas podem ocorrer, entre os quais alterações dos hábitos intestinais (diarreia ou prisão de ventre persistente), cólica, dor na região anal, fraqueza, anemia e emagrecimento. Ao notar qualquer desses sintomas, a recomendação é procurar um coloproctologista para diagnóstico e tratamento adequado.

Fonte: Agencia Brasl