CASO CALERO X TEMER

Ex-ministro diz ter pressionado a resolver divergência com ministro Geddel. Porta-voz disse que Temer chamou Calero a fim de resolver o impasse.

O depoimento do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero à Polícia Federal gerou uma repercussão política no Congresso Nacional. O conteúdo do depoimento foi considerado “grave” por partidos da oposição. Na base aliada, os parlamentares saíram em defesa do governo.

No depoimento, Calero disse ter sido “enquadrado” pelo presidente para encontrar “uma saída” para o impasse com o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo),

Geddel teria pressionado Calero para que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) liberasse a obra de um edifício no centro histórico de Salvador no qual o ministro é proprietário de um apartamento.

O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), divulgou uma nota informando que a bancada do partido solicitará à Polícia Federal cópia do depoimento do ex-ministro para que um grupo de juristas avalie se a atitude de Temer pode ser classificada como crime de responsabilidade.

“Identificado o crime de responsabilidade, o caminho é a abertura de um processo de impeachment de Temer. O governo Temer derrete”, criticou Florence.

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou em nota divulgada nesta quinta-feira (24) que conversou com o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, sobre a obra embargada de um prédio de luxo em Salvador para que fosse encontrada uma solução na forma da lei. O empreendimento gerou um impasse entre o ex-ministro e o chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

Padilha disse que sugeriu a Calero procurar a Advocacia-Geral da União mas, segundo ele, o ex-ministro ignorou sua sugestão. “Ante as decisões judiciais e a controvérsia entre os órgãos públicos federais, sugeri ao ex-ministro que, em caso de dúvida, na forma da Lei, buscasse a solução junto à AGU. […] O ex-ministro ignorou minha sugestão”, afirmou.

( G1)