Delegados da PF pedem a transferência imediata de Lula para quartel do Exército

Delegados da Polícia Federal do Paraná entraram nesta quarta-feira (11 de abril) com uma solicitação de transferência imédiata do ex-presidente Luiz Inácio Lula ad Silva da  sede da Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná, no bairro Santa Câncida.

O pedido, encaminhado via ofício pelo Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado do Paraná (SinDPF/PR) ao Superintendente da Polícia Federal no Estado do Paraná, argumenta que a prisão de Lula no prédio tem causado transtornos e riscos à população e aos funcionários da PF. As autoridades salientaram ainda que no local são realizados, além da rotina policial, atendimentos ao público, dentre eles, emissão de passaportes e questões relacionadas a produtos químicos, segurança privada, armas e emissão de certidões de antecedentes criminais da Polícia Federal.

“Assim, diariamente, centenas de pessoas que frequentam estas instalações precisam, por razões diversas e relevantes, de segurança e agilidade no atendimento. No entanto, desde que a Justiça Federal determinou que o Réu condenado Luiz Inácio Lula da Silva fosse conduzido para a Sede da Superintendência Regional da Polícia Federal no Estado do Paraná para cumprimento de sentença penal condenatória, em razão da invasão da região próxima deste prédio de centenas de pessoas ligadas a movimentos sociais e outras facções, por questões de segurança, foi determinado o bloqueio de acessos e demais medidas assecuratórias, causando graves inconvenientes e atrasos nos atendimentos e ações policiais”, afirmou o sindicato em nota encaminhada à imprensa.

Além disso, a categoria também alega que os policiais não estão conseguindo desenvolver suas atividades policiais normalmente, além de aponta que “há comprovados riscos à população que reside no entorno do prédio da PF, aos Policiais Federais e demais integrantes do sistema de segurança pública que moram nas imediações (…), ao passo que os alguns invasores, que já se instalaram com barracas e determinada estrutura, já estão promovendo ações no sentido de intimidar estas pessoas.”

Por fim, os delegados ainda afirmam que a medida mais acertada seria a transferência imediata do ex-presidente para uma unidade das forças armadas, que possua efetivo e estrutura “à altura dos riscos envolvidos”.

Tensão crescente e preconceito em evidência
Como revelado ontem pelo Bem Paraná, os insatisfeiros com a vigília pró-Lula no Santa Cândida reclamam do barulho e da sujeira que os manifestantes estariam deixando nas proximidades do acampamento montado na região, que já conta com mais de mil pessoas entre integrantes do Movimento Sem Terra (MST), sindicatos e outros movimentos de esquerda.

Nos discuros dos descontentes, contudo, fica evidente que a questão transcende os transtornos causados pela manifestação, evidenciando preconceitos e intolerância política.

“São pessoas que dão medo na gente, dão medo de verdade. Isso é um acampamento, um assentamento de sem terra, e aqui são pessoas (os moradores) que pagam imposto, que mantém suas gramas em ordem, que mantém tudo em dia, e acabam passando por isso por um cara que roubou, gente? Não tem mais condições e se ninguém fizer nada vai começar a população a dar tiro nos caras, é simples”, ameaçou Viviane Comin, moradora da região. “Queremos sossego, que esse povo com camisetinha vermelhinha vá trabalhar como a gente está trabalhando.”

 

Possibilidade de transferência do acampamento

Os integrantes do acampamento também receberam da Prefeitura de Curitiba uma proposta para transferir o acampamento do Santa Cândida para o Parque Atuba, em um bairro vizinho, a cerca de três quilômetros de onde Lula está preso. A opção visa minimizar o impacto causado pela manifestação, com inconveniências à parcela da vizinhança – outra parte tem colaborado com os manifestantes com doações, dando acesso à energia elétrica e até disponibilizando banheiros.

A tendência, contudo, é que a proposta seja recusada. O presidente do PT do Paraná, Doutor Rosinha, já afirmou que o acampamento respeita as decisões da Justiça e não há previsão de alteração da vigília.

Contudo, entre os manifestantes há o receio de que a tensão aumente. Há relatos de que policiais militares teriam aumentado a circulação no interior do acampamento durante a madrugada, inclusive fotogrando manifestantes e jornalistas. A PM, porém, afirma que o registro trata-se de um mapeamento. ( www.oparana.com.br)

Fonte: www.oparana.com.br