Jorge Roriz – Jornalismo de Excelência

Desfile fracassado do candidato a ditador

O transloucado desfile militar  na Praça dos Três Poderes, deixou Bolsonaro mais isolado.  o desfile foi contestado publicamente por Arthur Lira (Progressistas-AL), presidente da Câmara dos Deputados e aliado de Bolsonaro. E o presidente e vice- presidente da Câmara, foram convidados mas  não compareceram. A iniciativa não reuniu apoio nem sequer do vice-presidente Hamilton Mourão.

De acordo com nota divulgada pela Marinha, a iniciativa faz parte da Operação Formosa, um treinamento militar realizado desde 1988 e que este ano, pela primeira vez, contará também com a participação do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira E NUNCA OCORREU NA PRAÇA DOS TRÊS PODERES.

GASTOS COM DINHEIRO PÚBLICO
Este ano, a Operação Formosa envolverá mais de 2.500 militares, da Marinha, do Exército e da Força Aérea, que simularão uma operação anfíbia, considerada a mais complexa das ações militares, empregando mais de 150 diferentes meios, entre aeronaves, carros de combate, veículos blindados e anfíbios, de artilharia e lançadores de mísseis e foguetes. Foram transportadas 1.500 toneladas de equipamentos do Rio de Janeiro para Brasília, num deslocamento de mais de 1.400 km.

Esse desfile patético deve ter custado no mínimo, R$ 6 milhões. Os veículos viajaram do Rio para Brasília durante vários dias.

“Mais patético que os desfiles da Coreia do Norte”, diz o senador,  Randolfe Rodrigues.

Para Omar Aziz, Bolsonaro cria uma “coreografia para mostrar que tem o controle das Forças Armadas e pode fazer o que quiser com o país” e afirma que o ato “não é um teatro sem consequências, mas um ataque frontal à democracia”.

“Comandantes militares que aceitem colocar tanques nas ruas para dar a Bolsonaro a narrativa de poder para tanto estão rumando para um caminho que os levará à cadeia”, diz deputado, Jorge Solla.

Segundo José Guimares, assessores de Bolsonaro admitem que desfile patético de blindados tinha como objetivo intimidar Judiciário.

 

Nove Partidos emitem nota e acusam desfile militar de ‘constrangimento ao Congresso
As siglas de esquerda classificam como “inaceitável” a utilização e exposição das Forças Armadas, “ainda que permitam”, “para sugerir o uso de força em apoio à proposta antidemocrática e de caráter golpista, defendida pelo presidente da República”.

“Neste momento, em que o Brasil acumula a trágica marca de quase 600 mil mortes, não tem sentido expor pessoas, inclusive os militares, promover aglomeração e gastar recursos públicos com tal atividade”, afirmam

“O povo não quer ver desfile de tanques de guerra, quer vacina no braço, respeito à democracia e [às] instituições e [aos] governantes que trabalhem para gerar empregos e para acabar com a fome no país”, complementa o texto da nota.

A nota é assinada pelo PSB, PCdoB, PDT, PT, REDE, PSOL, PSTU, Solidariedade e Unidade Popular.

o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), afirmou que “aposta na democracia” e quer “compartilhar as preocupações que todos aqui [senadores] reverberaram”.

A fala de Bezerra aconteceu após vários senadores da CPI da Covid condenarem o desfile de blindados da Marinha, associando como uma ameaça à democracia.

Bezerra abriu sua fala abordando avanços do governo do presidente Jair Bolsonaro na vacinação contra a Covid-19. Em seguida, disse que essas informações “positivas” colocam parlamentares em lados opostos. Mas reforça reforçou que ele é um membro do Congresso e que compartilha as preocupações, embora ressalte que há excessos nas análises dos senadores que condenam o evento militar.

“Essas são as opções [ações do governo] que aqui a gente diverge, estamos em trincheiras distintas. Mas nós somos do parlamento brasileiro. Eu tenho uma história nesse Congresso Nacional, eu sou subscritor da Constituinte Cidadã”, disse.

“Eu aposto na democracia, eu aposto no estado de direito democrático. Por isso é evidente que eu quero compartilhar as preocupações que todos aqui reverberaram, apenas, digamos assim, querendo retirar os excessos das falas que foram feitas”.

Outros senadores comentaram o desfile de blindados em Brasília.

“Neste dia, Sr. Presidente, em que a Câmara, pelo que se anuncia, coloca uma pedra definitiva sobre essa tentativa, e o Senado, de forma definitiva, bota uma pedra sobre um resquício grave à liberdade, a Lei de Segurança Nacional, aí vem o Presidente da República dar uma demonstração de força, com tanques e aparatos bélicos desfilando sobre a Esplanada dos Ministérios”, disse Eduardo Braga (MDB-AM).

Izalci Lucas (PSDB-DF) afirmou que “nada acontece por acaso”, sobre a coincidência entre o evento militar e a votação da PEC do voto impresso. No entanto, ele apresentou uma lógica diferente da que vem sendo comentada. Afirmou que eventos militares são agendados com bastante antecedência e por isso levantou dúvidas sobre a data escolhida pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), colocar em pauta a proposta.

Alessandro Vieira (Cidadania-SE) defendeu as urnas eletrônicas e atacou duramente parlamentares e agentes públicos que defendem a retórica autoritária do governo do presidente Jair Bolsonaro.

“Todo governo autoritário acaba cortando as cabeças dessa turma, dos puxa-sacos, de pessoas que usam governos autoritários para ascender”, disse.

A fala de Vieira aconteceu logo após uma defesa do governo feita pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO), que afirmou não se constranger com blindados nas ruas.

“Ao olhar no retrovisor do tempo, [o que me constrange é] o desfile de corrupção, de roubalheira, de dinheiro público brasileiro saindo do brasil e indo financiar obras e serviços em países dominados por ditadores, por comunistas, num alinhamento de esquerda que tirou do brasileiro para colocar em Cuba, na Venezuela e em tantos outros países”, disse Rogério.

O vice-líder do governo, Jorginho Mello (PL-SC), defendeu a tese de Bolsonaro em relação ao voto impresso auditável e afirma que se firmou um “cavalo de batalha” por algo que ele considera simples.

Em seguida, Mello fez uma voz infantil e disse que “agora estão preocupados que a democracia está em risco”. Após terminar, foi repreendido pelo presidente Omar Aziz:

“A história se repete. O senhor já tem idade para saber um pouco da história”, disse Aziz.