Eduardo Bolsonaro diz que “sem Olavo, não haveria a eleição de Jair Bolsonaro”

Júlio Severo

Sua declaração foi feita em 16 de março de 2019, depois da exibição do filme “O Jardim das Aflições” de Olavo de Carvalho, um filme com várias características da Nova Era. A exibição, apresentada em Washington D.C., é um esforço de Steve Bannon para expandir seu movimento e estabelecer uma base estratégica para a visita de Bolsonaro nos EUA, impulsionando Carvalho. O filme de Carvalho havia sido lançado oficialmente nos Estados Unidos em 2017, mas não houve público americano disposto a assisti-lo.
No evento, Bannon disse que quer apresentar as ideias de Carvalho ao público internacional. Se Bannon for honesto, ele vai revelar ao público internacional o verdadeiro Carvalho que
* defende o revisionismo da Inquisição, que torturava e matava judeus e protestantes, dizendo: “Repito: nunca existiu uma entidade chamada ‘Inquisição’ e muito menos ‘Santa Inquisição.’”
* diz que “O Protestantismo nasceu do ódio e da sêde de sangue. Sua inspiração cristã é ZERO.”
* famosamente disse que “As igrejas evangélicas fizeram mais mal ao Brasil do que a esquerda inteira” — sugerindo que as igrejas evangélicas precisam ser combatidas muito mais do que o marxismo é combatido.
Em contraste com Eduardo, que deu crédito a Carvalho pela vitória de seu pai, o jornal americano New York Times deu crédito dessa vitória ao televangelista Silas Malafaia, que liderou milhões de evangélicos para apoiar Bolsonaro.
Aliás, até mesmo Fernando Haddad, que foi o candidato presidencial concorrente de Bolsonaro, reconheceu que o maior fator responsável por sua derrota nas urnas foi o “fenômeno evangélico.”
Obviamente, os evangélicos, que foram ambiciosamente cobiçados por Bolsonaro durante a eleição, estão tendo muito pouco espaço agora que o poder governamental está firmemente nas mãos dele.
A Frente Parlamentar Evangélica, tradicionalmente a força mais conservadora no Congresso Nacional, expressou suas preocupações e protestos por ter recebido muito poucos cargos no governo Bolsonaro.
Menos espaço para os evangélicos significa apenas uma coisa: mais espaço para a influência de Carvalho e Bannon.
Bannon e Carvalho tiveram dois encontros em janeiro passado. Ambos têm o mesmo histórico: Eles foram inspirados por René Guénon, um ocultista islâmico que fundou a Escola Tradicionalista para promover o conservadorismo esotérico e combater o marxismo. Bannon, Carvalho e Guénon vieram do mesmo histórico católico.
Depois de ser demitido por Trump, Bannon criou um movimento para influenciar direitistas na Europa e na América Latina. Ele teve seu primeiro encontro público com Eduardo Bolsonaro em agosto de 2018. Quando perguntado pela imprensa internacional, Jair Bolsonaro negou qualquer vínculo com Bannon.
No final de novembro, os dois se encontraram novamente: Eduardo Bolsonaro participou da festa de aniversário de Bannon.
E em janeiro passado, Bannon escolheu Eduardo como diretor de seu movimento no Brasil e na América Latina. “O Movimento tem a honra de receber Eduardo Bolsonaro como um parceiro ilustre e o Brasil como um aliado-chave na América do Sul,” disse Bannon.
Apesar do fato de que Bannon é hoje persona non grata no governo dos Estados Unidos depois que o presidente Donald Trump o expulsou da Casa Branca por vazar informações confidenciais e oportunismo, o presidente Bolsonaro decidiu honrar Bannon em um jantar exclusivo na embaixada brasileira em Washington, na véspera de sua reunião encontro com Trump.
A decisão de Bolsonaro de honrar o inimigo de Trump é um tapa na cara de Trump, assim como Eduardo Bolsonaro dizendo que “sem Olavo, não haveria a eleição de Jair Bolsonaro” é um tapa na cara de Silas Malafaia e dos evangélicos que elegeram Bolsonaro.
Carvalho, que tem sido um imigrante brasileiro autoexilado nos EUA por 15 anos, só está sendo um pouco mais conhecido agora nos EUA graças aos esforços de Bolsonaro e Bannon, que o estão impulsionando.
Na exibição do filme de Carvalho, ele e Eduardo criticaram a imprensa. Eles fazem isso todo o tempo. Lembrei-me de Trump, que disse sobre Bannon: “Steve finge estar em guerra com a mídia, que ele chama de partido de oposição, mas ele passava seu tempo na Casa Branca vazando informações falsas para a mídia para se fazer parecer mais importante do que ele era. Essa é a única coisa que ele faz bem.”
Tal oportunismo é uma descrição perfeita dos adeptos de Guénon, que agora estão tirando vantagem dos evangélicos brasileiros “vazando informações falsas para a mídia” (“sem Olavo, não haveria a eleição de Jair Bolsonaro”) para se fazerem parecer muito mais importantes do que eles são.
Trump fez muito bem ao demitir Bannon. Mas Bolsonaro está semeando problemas para si mesmo ao dar atenção a Bannon e sua cópia brasileira, Olavo de Carvalho.
Só Deus, por meio de muita oração, pode abrir os olhos de Bolsonaro.

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