Jorge Roriz – Jornalismo de Excelência

Especialistas alertam – A vacinação é essencial, isso não impede que vacinados possam morrer

Estamos vivendo uma guerra de informação que é agravada pela ignorância da maioria. A vacinação é essencial com as duas doses. Os idosos acima de 65 anos que possuem imunodeficiência,  ( redução da imunidade que ocorre com mais frequência nas pessoas idosas) podem tomar as duas doses e contrair o vírus. Na maior parte pegam a forma mais leve, porém, alguns podem desenvolver a doença de forma mais grave e irem a óbito. ISSO NÃO INVABILIZA A EFICÁCIA DAS VACINAS.

O ator Tarcísio Meira  morreu nesta quinta, aos 85 anos, por complicações da Covid, mesmo já tendo recebido duas doses da CoronaVac.

Com a notícia, muitas pessoas voltaram a criticar a vacina. Especialistas, no entanto, explicam que todos os imunizantes disponíveis são confiáveis, embora nenhum tenha 100% de eficácia. Entre idosos com até 79 anos, a CoronaVac protege de mortes em 87% dos casos. Acima dessa idade, a efetividade cai para 49,9%, segundo o grupo Vebra Covid-19, que reúne pesquisadores de instituições como Fiocruz, Incor e Instituto Global de Saúde de Barcelona.

Nos EUA, 95% dos contaminados são de não vacinados.  As pessoas idosas e principalmente com comorbidades, podem tomar as duas doses da vacina e mesmo assim, contrair o vírus em uma forma mais grave e chegarem a morrer. É uma situação rara, mas pode acontecer.

As vacinas não protegem 100%, mas entre 70% a 90% dos vacinados não desenvolvem a doença e a grande maioria quando desenvolve a doença é de forma mais leve.  ISSO TORNA MAIS AINDA IMPORTANTE QUE TODOS TOMEM A VACINA. SE VACINADOS PODEM SE CONTAMINAR E MORRER, OS NÃO VACINADOS, POSSUI RISCOS MUITO  MAIORES.

Segundo a professora-doutora em Epidemiologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e enfermeira, Ethel Maciel, em função da baixa cobertura vacinal no país, em que apenas 21,49% da população está totalmente imunizada (com as duas doses ou com vacina de dose única), é fundamental proteger os idosos, que têm um sistema imunológico mais frágil.

“Mesmo as pessoas vacinadas devem contribuir para o controle da doença e seguir as medidas de prevenção. Aquelas que convivem com idosos, mais ainda. Há estudos que indicam a aplicação de uma dose de reforço nesse público, que têm uma resposta à doença, mesmo após completar o esquema vacinal, mais baixa. Israel já começou a fazer isso, o que não é uma realidade para o Brasil. Aqui, cerca de 80% da população tomou apenas uma dose ou nenhuma”, explica Ethel.

A epidemiologista lembra que os cuidados são básicos. “O cenário ainda é de pandemia, embora haja redução das infecções atualmente, ainda há muitos casos da doença confirmados diariamente. Precisamos seguir com as medidas de controle e de forma rigorosa, usando máscaras mais filtrantes, evitando aglomerações, higienizando as mãos e completando o esquema vacinal contra a Covid-19. A vacina é uma ferramenta contra a pandemia eficiente, e que deve ser combinada com os demais cuidados”, destaca.
“Estudos indicam impacto da vacinação na diminuição da transmissão do vírus”

Especialistas esclarecem que em até 97% das pessoas as vacinas são capazes de impedir que o novo vírus cause a enfermidade de forma mais grave, mas não elimina todas as chances de contrair a doença. Eles reforçam ainda que a vacinação é essencial para salvar vidas.

O nível do risco de contágio e o agravamento da infecção é maior ou menor de acordo com alguns fatores como idade,  comorbidades e imunidade no momento da exposição ao vírus. Por isso que, além da vacinação, outros cuidados continuam importantes, como afastamento social, higienização das mãos e uso de máscara.

A chegada de novas variantes do novo coronavírus, como a Delta – que tem se espalhado pelo país e já está em transmissão comunitária no Espírito Santo e outras Estados, como Rio de Janeiro de São Paulo – também pode comprometer a resposta imunológica das vacinas em determinados pacientes, o que obriga um zelo ainda maior da população no combate ao vírus.

No caso de Tarcísio e da esposa, Glória Menezes,  não há informações sobre qual cepa causou a doença que provocou sua morte. Ele estava em isolamento social junto com sua esposa, a atriz Glória Menezes, de 86 anos, mas ambos tiveram contato com o coronavírus num momento de descuido, de acordo com informações da família.

Eles tomaram a segunda dose da vacina na Cidade de Porto Feliz, no interior de São Paulo, em março deste ano. A marca do imunizante não foi divulgada.

Os dois foram internados na última sexta-feira (6), no Hospital Albert Einstein, na capital paulista, após sintomas gripais. Tarcísio Meira acabou precisando de intubação. Glória, que foi diagnosticada junto com o marido, apresentou o quadro leve, e deve ter alta do hospital em breve, segundo a assessoria de imprensa do casal de artistas

Até o início da semana, Tarcísio estava evoluindo bem e a equipe médica estava esperançosa. Ele precisou ser intubado “para melhor conforto do tratamento, conforme comunicados médicos divulgados anteriormente.

O professor-doutor em Imunologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Daniel Gomes, explica que a contaminação dos atores, mesmo após o esquema vacinal completo, ocorreu porque a vacina da Covid-19 impede apenas a piora clínica do paciente na maioria dos casos e não a infecção em si.

Em pacientes com idade avançada, cardiopatias ou com outras comorbidades, a imunização nem sempre impede o avanço da infecção na forma que aconteceu com o ator.

“As vacinas são basicamente produzidas de duas formas. Existem aquelas que têm capacidade de prevenir infecções, enquanto outras vão atuar na prevenção de uma piora clínica, que é o caso dos imunizantes contra a Covid-19. Ou seja, uma pessoa vacinada, pode ser contaminada e também transmitir a doença a outros indivíduos”, pontua.

Daniel Gomes

Professor Doutor em Imunologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)

“Pacientes que pertencem ao grupo de risco são mais suscetíveis à doença e, consequentemente, a uma piora clínica. Por isso que, mesmo vacinados, os protocolos de distanciamento social, higienização das mãos e uso de máscara devem ser mantidos”

Em entrevista ao Portal UOL, a doutora em Microbiolgia  e presidente do Instituto Questão de Ciência, explicou que a vacina não é mágica. Ela faz uma analogia ao futebol, comparando um bom imunizante a um bom goleiro.

Segundo ela, é avaliado se um jogador é bom a partir do seu histórico em campo. Mas se esse goleiro atua em um time fraco, com algum problema em sua defesa, nem sempre o goleiro consegue impedir um gol.

Natália Pasternak

Doutora em Microbiologia em entrevista ao UOL

“Uma boa vacina é como se fosse um bom goleiro. E como sabemos que o goleiro é bom? Vamos olhar o histórico dele. A frequência com a qual ele faz defesas. Se ele defende com frequência, ele é um bom goleiro. Isso não quer dizer que ele é invicto, que ele nunca vai tomar gol. Mas, mesmo se tomar gol, ele não deixa de ser um bom goleiro”

A mesma coisa ocorre com o vírus que entra em contato com um organismo doente e com falha em seu sistema imunológico. Mesmo que o paciente tenha tomado a melhor vacina, muitas vezes, o agente causador é capaz de driblar essa eficiência, causando a doença.

Mariana Varella:

1) o principal objetivo das vacinas é prevenir casos graves/óbitos;

2) com a transmissão do vírus alta, haverá + casos de contaminação em vacinados;

3) a função imunológica cai com a idade (imunossenência);

4) óbitos em idosos estão diminuindo c/ a vacinação, mas podem ocorrer

“Vacina não é como um medicamento, é um bem coletivo. Ela tem uma proteção que é individual, mas tem também a proteção coletiva, que é muito importante”, diz a médica epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin, Denise Garrett. Ela destaca que não existe nenhuma vacina 100% eficaz e que, por conta disso, é fundamental acompanhar a chamada taxa de breakthrough, que se refere às infecções que ocorrem mesmo em quem já recebeu a imunização completa.

“Eu posso tomar duas doses da vacina, gerar anticorpos e pegar a covid-19 ainda assim. Mas, na maioria das vezes, se já estou imunizado, leva para quadros leves”, diz o médico infectologista e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) Julival Ribeiro. “O grande benefício de todas as vacinas existentes no mundo hoje é evitar que pessoas vacinadas adquiram casos graves das doenças.”

Essas infecções, segundo os especialistas, são ainda mais frequentes quando há o avanço de cepas altamente transmissíveis, como é o caso da variante Delta, e em contextos em que a cobertura vacinal ainda não é alta.