Jorge Roriz – Jornalismo de Excelência

Marco Villa : “O Brasil não aguenta Jair Bolsonaro até 2022”

Luciana Freire – SITE DA METROPOLE

O historiador e comentarista político Marco Antonio Villa disse, ao comentar sobre o processo de impeachment, acreditar que existe uma contradição entre Brasil e governo Bolsonaro. Para ele o Brasil é muito mais plural e nós precisamos romper essa dicotomia que faz muito mal ao país.

“O impeachment é um processo político mais que jurídico. No livro do Paulo Brossard, que foi republicado em 1992, ele faz duras críticas ao impeachment, porque ele é parlamentarista. Ele mostra que acaba tendo muito desgaste. Esse é o argumento que se usa hoje,  muitos de forma oportunista, porque querem deixar o Bolsonaro sangrando (para usar uma expressão equivocada do Fernando Henrique sobre o Lula em 2005) e falar ‘vamos lá, esperar 2022’. Porém o Brasil não aguenta Jair Bolsonaro até 31 de dezembro de 2022”, afirmou hoje (17), em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole.

“Eu acho que ele não chega até 2022, sempre falei que ele não termina mandato, pela condição de muitas crises. De um lado a crise econômica muito mais severa do que nós imaginávamos. O Brasil não tem rumo econômico nenhum. Existe também a divergência de hoje entre os militares do planalto e o Guedes. Essa exército que tá aí é uma piada, o ministro interino da Saúde parece um personagem, não dá para levar ele a sério. Crise política, [Bolsonaro] não tem apoio do congresso – não tem centrão, tem centrinho – e apoio da sociedade, ainda durante uma pandemia”, analisou Villa.

Para o historiador a solução para esse cenário é a constituição. “A vacina é a constituição. Nós vamos ter de encontrar uma saída constitucional”.

Villa classifica a eleição presidencial de 2014 como a mais suja da história. “Foi a eleição do do petrolão, a eleição mais cara da história”, acrescentou. Para ele, foi suja no sentido de ter o dinheiro do petrolão, e pelos ataques que a campanha do PT fez a candidata Marina.

“A Marina estava em primeiro nas pesquisas, no dia 13 de agosto houve um acidente em Santos, a morte de Eduardo Campos. Ela era vice, passou para ser candidata à presidência, aí ela disparou e nas pesquisas estava em primeiro. Nunca na história no Brasil uma candidatura tomou tantas pancadas e tantas fake news. Porque para mim a fake news eleitoral nasceu em 2014 e não em 2018, porque destruíram a Marina”, afirmou.

Ao falar sobre o impeachment de Dilma, Villa afirma que faltou à presidente articulação, o que demonstra até “desprezo pela política e pelo parlamento”.

“É difícil o presidente que não tem, no mínimo, um terço da Câmara dos deputados, precisa ser muito ruim. Principalmente quando era o governo que tinha começado em 2003, 13 anos depois você não tem um terço da Câmera para barrar a solicitação do processo de impeachment, mostra falta de articulação política e o desprezo até, pela política e pelo parlamento. Ela acabou pagando por isso”, disse Villa.