Mariémme Jamme - Programadora quer capacitar um milhão de programadoras até 2030

Mariémme Jamme é uma programadora, ativista digital, consultora de tecnologia para grandes empresas e organizações mundiais como Google, Microsoft e ONU Mulheres. Nasceu em 1974, no Senegal, também possui as cidadanias britânica e francesa. A ativista ganhou o Prêmio de Inovação Global Goals Award 2017 pela Unicef e pela Fundação Bill e Melinda Gates, por seu trabalho junto aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Também consta na Powerlist 2017, que nomeia as 100 pessoas mais influentes na África e Caribe. Tornou-se membro do Conselho Consultivo da Data Pop Alliance, uma coalizão global que promove uma revolução do Big Data centrada nas pessoas. É membro da diretoria da Web Foundation, onde apoia a entidade nas questões de gênero e igualdade digital. Também é a primeira mulher negra a ser nomeada e convidada para fazer parte do programa visionário do UBS Group Global

No site oficial, o projeto de Mariémme, chamado de I am the Code (Eu sou o código, na tradução do inglês) é descrito como uma plataforma que tem “o objetivo de formar as novas líderes digitais do futuro”. “Vamos capacitar 1 milhão de meninas programadoras até 2030′. A iniciativa, reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) já está presente em 93 cidades de 42 países e é exemplo mundial de inclusão digital. Incluindo o Brasil. Aqui, está presente no Recife, em São Paulo e no Rio.

Sua intenção é que governos, empresas e investidores apoiem a conquista da autonomia feminina nas chamadas STEAMD, sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes, Matemática e Design. Por seu trabalho, ela é conhecida como ‘diplomata da tecnologia’ e já foi homenageada como Jovem Líder Global no Fórum Econômico Mundial, devido ao esforço para capacitar e investir em mulheres jovens e meninas, através da aprendizagem criativa e empreendedorismo, na África e em países pobres de outros continentes.

Mariémme Jamme conhece bem a realidade que pretende mudar. Ela teve uma infância e adolescência de extrema pobreza e violência. Viveu em orfanatos de Dakar até os 13 anos, quando foi traficada do Senegal para a França, para ser explorada sexualmente. Até que, presa e levada para um campo de refugiados, começou a estudar e aprendeu a ler e a escrever aos 16 anos. Autodidata, também aprendeu oito linguagens diferentes de programação.

“Cada um de nós tem um código em si. Temos uma chave para mudar a vida das pessoas”, disse Mariéme, em entrevista realizada durante sua vinda ao Brasil para a Feira Preta, evento de cultura e empreendedorismo negro, em novembro. A afirmação é compreensível para quem conhece sua história de vida. Abandonada pela mãe quando tinha 5 anos, ela passou a infância na zona rural do país africano, de orfanato em orfanato, sem perspectiva de adoção.

 

“Quando você não tem habilidades ou qualificações, faz tantas coisas ao mesmo tempo que, em algum momento, consegue encontrar seu destino.”

O I am the code, que está alinhado com a Agenda (2010) da ONU – um plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade com sustentabilidade -, nasceu da inquietação de sua criadora com a realidade da educação feminina no mundo. Segundo dados no próprio site do projeto, citando como fonte o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), são 65 milhões de meninas no mundo a quem é negado acesso à educação básica.

Mariémme, em suas palestras disponíveis na internet, defende que não investir na educação das meninas, ajudando em seu avanço diante de tantas desigualdades existentes no mundo, cria camadas de cidadania e uma divisão digital na sociedade.

“Não ter a chance de frequentar a escola ainda cedo e de ter uma oportunidade para uma educação de formação, me fez iniciar este movimento. Acredito firmemente que precisamos ajudar a corrigir o fracasso dos formuladores de políticas, investindo em meninas e mulheres por meio de aprendizado criativo e da tecnologia”, afirma a ativista no texto de apresentação do I am the code.

 

“Estou usando o código como uma maneira de ensinar as meninas como codificar e decodificar informações e entender que elas têm uma habilidade, mas também como uma forma de fortalecê-las. Eu lhes digo: você é o código, você tem o destino em suas mãos.”