Jorge Roriz – Jornalismo de Excelência

Ministro da Transparência diz que Lava Jato está blindada

Contrariando as pressões para que o Ministério Público seja afastado dos acordos de leniência com empresas investigadas pela Lava Jato, o ministro da Transparência, Torquato Jardim, é enfático na defesa da instituição: “O Ministério Público participará dos acordos de leniência, independente do que diga a lei anti-corrupção e do que o Congresso legisle”.  Advogado carioca de 66 anos, Jardim diz que está na Constituição essa atribuição do MPF, assim como a do Tribunal de Contas da União (TCU) e a Advocacia Geral da União (AGU).  No comando da antiga Controladoria Geral da União, Jardim é ex-ministro do TSE e um dos maiores especialistas em Direito Eleitoral do País. Ao assumir, recebeu carta de Jimmy Carter, cuja fundação ele integra, na qual o ex-presidente americano disse: “O compromisso do seu cargo é vital para salvaguardar os valores democráticos do Brasil”. Em recente conferência, Jardim comparou as culturas de vários países no que tange à corrupção. Lembrou do suicídio no Japão de um ministro por ter desviado US$ 2 milhões. “Aqui, R$ 2 milhões é a gratificação do manobrista”, disse, diante dos números astronômicos da corrupção no Brasil.

Como o sr. avalia o combate a corrupção na Lava Jato?

Como diz o juiz Sergio Moro, a Lava Jato é um começo. É um avanço civilizatório. As consequências de longo prazo da Lava Jato, nós temos que lutar por elas. Mas não é só no setor público, é no setor privado. É matéria da sociedade, não é só do Ministério Público, do Judiciário, do Executivo ou do Legislativo. Mais importante é a atitude de cobrança da sociedade civil, que deve adotar um critério de não tolerar a corrupção. Ponto. Não interessa onde nem quanto. Não importa se são R$500 mil ou R$50 bilhões. A sociedade civil e estatal têm que compor um novo ambiente de ética. A nova ética deve ser de intolerância à corrupção. Isso é para todos, inclusive na família. Como lembra o filósofo Leandro Karnal,  isso muda no dia em que pai e mãe não procurarem o amigo médico para buscar um atestado para o filho preguiçoso que não fez a prova na escola. Vai do núcleo familiar ao núcleo estatal.

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