Jorge Roriz – Jornalismo de Excelência

Nota oficial da Associação Médica Brasileira

O posicionamento é oposto a um anterior, de julho do ano passado, quando a entidade defendeu a ‘autonomia do médico’ ao receitar os medicamentos, que já tiveram sua ineficácia comprovada contra a Covid-19.

A Associação Médica Brasileira (AMB) divulgou um boletim nesta terça-feira (23) na qual condena, entre outros pontos, o uso de remédios sem eficácia contra a Covid-19. O posicionamento é oposto a um anterior, de julho do ano passado, quando a entidade defendeu a “autonomia do médico” ao receitar os medicamentos.

“Reafirmamos que, infelizmente, medicações como hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da COVID-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida”, diz o novo texto da AMB.

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No documento, a entidade cita 13 pontos para enfrentamento da pandemia e reforça a necessidade de prevenção da Covid-19. Entre eles estão a necessidade de acelerar a vacinação, manter o isolamento social, o uso de máscaras e, também, a necessidade de ação das autoridades para solucionar a falta de medicamentos no atendimento de pacientes internados com Covid (veja íntegra da carta ao final desta reportagem), principalmente daqueles necessários para a intubação.

Falta de medicamentos compromete o trabalho em unidades de terapia intensiva

A Associação Médica Brasileira informa que se reuniu com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, órgão do Ministério da Saúde, em busca de resolução à falta de medicamentos ao atendimento emergencial de pacientes hospitalares acometidos pela COVID-19, em especial de bloqueadores neuromusculares – indispensáveis ao processo de intubação de doentes em fase crítica.

Lamentavelmente, o número de pacientes infectados no Brasil dispara, assim como a daqueles que exigem atendimento hospitalar. Seguindo a mesma tendência, é cada vez mais significativo o contingente de pacientes que precisa de internação em UTI, com sedação e intubação.

A AMB acompanha a questão com especial atenção. A saúde e a vida de nossos pacientes nos é cara; requeremos condições adequadas e dignas para atendê-los.

Contudo, os médicos do Brasil veem, instante a instante, amplificados os desafios para a assistência adequada e as melhores práticas da Medicina. Hoje, estão esgotando rapidamente os estoques de medicamentos, entre outros problemas.

*Os cidadãos precisam de apoio e verdade, sempre. Assim, por compromisso ético e zelando pela transparência, informamos que, na ausência de tais drogas, não é possível oferecer atendimento adequado para salvar vidas.*

Uma Unidade de Terapia Intensiva é composta por espaço físico equipamentos, medicamentos, materiais e recursos humanos. A falta de qualquer desses elementos inviabiliza a execução dos procedimentos.

Reiteramos a urgência de o Brasil recorrer às leis e normativas de exceção que permitem a Anvisa encaminhar a aquisição dos produtos em caráter excepcional, seja aqui ou no mercado internacional.

São Paulo, 20 de março de 2021
Associação Médica Brasileira