Jorge Roriz – Jornalismo de Excelência

O voto de Gilmar Mendes destrói Moro e Dalagnol

A orquestra acusatória liderada pelo Magistrado era reforçada pela manutenção de um canal direto entre os membros da Força-Tarefa e representantes da Polícia Federal. A fim de facilitar a troca de informações por meio de contatos, os Procuradores estabeleceram um grupo de Telegram com os membros da Polícia Federal encarregados da condução da investigação contra o reclamante. Pelos diálogos, é possível depreender que o grupo “Pf x lula“ existia desde o início das investigações em 2015, quando o chefe da Força-Tarefa chegou a advertir os colegas “caros, cuidado com o que vamos falar no grupo da PF, pq há 2 que conhecemos, viu? Antes tinha aquele maluco… imagina se ele estivesse no grupo (não sei se estava), com a gente falando de russo e tal…”. (eDOC 226). O grupo era utilizado para combinar a conclusão de fases do procedimento inquisitorial e para o compartilhamento, em tempo real, de informações colhidas pela autoridade policial. O vínculo estreito entre os procuradores e os agentes da PF permitiu que a Lava-Jato instalasse um verdadeiro sistema soviético de monitoramento das estratégias utilizadas pela defesa do reclamante. Eu quero que alguém diga, honestamente, que isto encontra abrigo, Ministra Cármen, na Constituição. As informações eram repassadas fora dos autos em tempo real pelo agente da Polícia Federal aos Procuradores de Curitiba.

 

Leia o voto na íntegra  do ministro do STF, Gilmar Mendes, no julgamento da suspeição do ex- juiz Sérgio Moro.

LEIA AQUI

 

“Fico com um dado que me chama atenção, presidente: a polícia, que é órgão do estado, tem acesso a dados, o Ministério Público tem acesso a dados, o juiz tem acesso a dados e a defesa não tem acesso aos dados? Ministra Carmen Lúcia

 

“Não estamos aqui discutindo a validade das provas obtidas, enfim, na Operação Spoofing. Isso é matéria que será discutida eventualmente em outra ação, estamos discutindo acesso aos elementos de provas que há três anos estão sendo denegados ao reclamante.” Ministro Lewandowski