Omicron – Algumas considerações sobre a nova variante

Coronavírus Brasil

Natalia Pasternak,

O números de mutações chamou atenção, mas não é preocupante em si, é necessário averiguar o que essas mutações representam.

Se sao capazes de tornar a Omicron mais transmissível e com escape de vacinas. A má notícia é que algumas mutações sao velhas conhecidas nossas, e fazem exatamente isso, então é provável que seja. Ao mesmo tempo, não sabemos ainda se é mais transmissível do que a delta, ou se vai perder a competição como aconteceu com a beta, que era bem preocupante por causa do escape de vacinas mas que nao conseguiu competir com a delta, que era mais transmissível. Quanto ao escape, a Omicron apresenta mutações de escape que precisam ser testadas, pelos fabricantes das diversas vacinas, para ver se há indícios de perda de eficácia com esta ou aquela vacina. Certamente semana que vem teremos respostas neste sentido.

São dois sinais de alerta no caso da Omicron: o primeiro da cepa em si, claro, que é preocupante, mas o segundo, não menos preocupante, é sobre as condições que fazem surgir novas variantes. Sabíamos que a África, sem assistência vacinal,

poderia se tornar um caldo de cultura para novas variantes. Há países no continente africano que nao conseguiram vacinar mais do que 5-10% de suas populações. era de se esperar que surgissem novas variantes. Lembrando que elas surgem justamente em locais sem vacina.

Ou seja, vamos ter que falar de novo o jargão da pandemia: ninguém está seguro até que todos estejam seguros. A desigualdade vacinal no mundo precisa ser combatida ou teremos novas variantes sempre, e ficaremos como baratas tontas abrindo e fechando fronteiras, como se fechar fronteiras, sem um plano de quarentena, testagem e passaporte de vacina, conseguisse segurar variantes do virus. E precisamos de um plano de vacinação inclusiva, uma nova estratégia similar ao Covax da OMS que infelizmente morreu na praia.

A Omicron nao é a primeira nem a última variante de preocupação que vai surgir enquanto não tivermos equidade de vacinas. Por enquanto nao sabemos se ela vai competir bem com delta, se escapa de vacinas, e parece não causar doença mais grave.

Mas é hora de termos planos de ação. Um para vacinar com mais equidade, outro para desenhar rapidamente novas vacinas que se adequem às novas variantes conforme isso for necessário.

Natalia Pasternak, VIA TWITTER.

Microbiologist, science writer, skeptic, trying to promote science and rational thinking over nonsense, president of Instituto Questão de Ciência