“PARABÉNS” LULA, VOCÊ É O “INOCENTO” PENTA RÉU

Nesta segunda-feira, 19, o juiz Sérgio Moro aceitou outra denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com isso, Lula se torna réu pela quinta vez, sendo três pela Operação Lava Jato.

Além da denúncia de Lula, Moro aceitou a de mais oito pessoas. A denúncia foi apresentada à Justiça Federal do Paraná na quarta-feira, 14, e se refere às compras de dois imóveis pela construtora Odebrecht para o ex-presidente: um prédio que serviria de instalação para o Instituto Lula, adquirido pelo valor de aproximadamente R$ 12 milhões, e um imóvel vizinho ao ocupado atualmente por Lula em São Bernardo do Campo, comprado pelo valor de R$ 504 mil.

Apesar de o prédio comprado para ser do Instituto Lula não ter ficado com o ex-presidente, o apartamento de São Bernardo é utilizado por Lula, que diz pagar pelo seu aluguel. A investigação da Lava Jato não encontrou comprovantes de que os pagamentos estejam acontecendo.

Na denúncia, o MPF sustenta que Lula teria participado “conscientemente do esquema criminoso” que lesou a Petrobras e beneficiou a Odebrecht, além de outras construtoras, durante o seu governo, “inclusive tendo ciência de que os diretores da Petrobras utilizavam seus cargos para recebimento de vantagem indevida em favor de agentes políticos e partidos políticos”.

Moro considerou que a denúncia não implica “juízo conclusivo quanto à presença da responsabilidade criminal” e disse que “é no trâmite da ação penal que o ex-presidente poderá exercer livremente a sua defesa, assim como será durante ele que caberá à acusação produzir a prova acima de qualquer dúvida razoável de suas alegações caso pretenda a condenação”.

Além de Lula, tornaram-se ser réus no processo a mulher do ex-presidente, Marisa Letícia Lula da Silva, que teria participado da “simulação” do aluguel do apartamento de São Bernardo e usufruído do imóvel, o proprietário do apartamento, Glaucos da Costamarques e o advogado de Lula, Roberto Teixeira, acusado pelo MPF de coordenar a aquisição dos imóveis “mediante interposta pessoa”.

A assessoria de Lula divulgou uma nota em que afirma que a Lava Jato “se tornou uma perseguição ao ex-presidente, aceitando ações capengas e sem provas sobre um apartamento que o ex-presidente aluga e um terreno que jamais foi pedido ou usado pelo Instituto Lula”. A assessoria disse ainda que a ação “tem como objetivo impedir que Lula seja candidato em 2018”, e que ele “continuará a se defender na Justiça”.