Jorge Roriz – Jornalismo de Excelência

PGR denuncia Roberto Jefferson, o escudeiro de Bolsonaro

A Procuradoria-Geral da República denunciou o presidente do PTB, Roberto Jefferson, por incitação ao crime, ameaça às instituições e homofobia. O ex-deputado está preso por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes.

A denúncia é assinada pela subprocuradora Lindôra Araújo, uma das principais auxiliares do procurador-geral da República, e não pelo próprio Augusto Aras. O ex-deputado Roberto Jefferson está preso no Rio de Janeiro desde o dia 13 de agosto com base no inquérito que apura a atuação de uma milícia digital que atenta contra a democracia.

Na denúncia, a PGR lista sete declarações em que o ex-deputado atacou instituições, e afirma que Roberto Jefferson praticou condutas que constituem infrações previstas no Código Penal, na Lei de Segurança Nacional e na lei que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

 

A PGR diz que ele ‘’incentivou o povo brasileiro a invadir a sede do Senado e a praticar vias de fato contra senadores, especificamente dos que integram a CPI da Pandemia, com o intuito de impedir o livre exercício do Poder Legislativo, e que também incentivou o povo brasileiro a destruir, com emprego de substância explosiva, o prédio do Tribunal Superior Eleitoral”. E que praticou ao menos duas vezes o crime de homofobia ao comparar pessoas LGBTQIA+ com traficantes e ao dizer que elas representam a demolição moral da família.

Ao autorizar a prisão de Jefferson no meio de agosto a pedido da Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes escreveu que o político “faz parte de uma possível organização criminosa que busca desestabilizar, de maneira ilegal e inconstitucional, instituições como o STF e o Congresso Nacional”.

Moraes disse ainda que essa suposta organização atua na internet, de maneira sistemática, “para criar ou compartilhar mensagens que tenham por mote final a derrubada da estrutura democrática e o Estado de Direito no Brasil”.

Agentes da Polícia Federal relataram ao Supremo como foi a prisão do ex-deputado. Segundo os agentes, Jefferson disse aos investigadores que entregou o celular a um desconhecido para que fosse jogado em um rio próximo a onde mora, no interior do estado do Rio de Janeiro.

Inicialmente, a Procuradoria-Geral da República tinha sido contra a prisão de Jefferson, argumentado que a conduta dele estava protegida pela liberdade de expressão. Agora, a mesma PGR vê crime nas atitudes do ex-deputado e defende que ele fique em prisão domiciliar.

A defesa do presidente nacional do PTB terá 15 dias para se manifestar. Depois, o Supremo vai analisar se recebe ou não a denúncia. Caso aceite, Roberto Jefferson vira réu no inquérito das milícias digitais.

A defesa de Roberto Jefferson não deu retorno ao contato do Jornal Nacional.