Polícia Federal diz que tem muita coisa sobre a carne podre que não foi divulgada

Os investigadores da Polícia Federal responsáveis pela operação Carne Fraca avaliam os ataques desferidos pelo governo e por entidades de classe ligadas ao agronegócio como uma forma de tentar desviar o foco do esquema de corrupção descoberto pela investigação.

No entendimento de integrantes da investigação, o “barulho” feito após as revelações sobre problemas sanitários nos frigoríficos e as afirmações de que a atuação da Polícia Federal deve ter impacto na economia servem apenas para evitar o debate sobre as “relações espúrias” entre grupos políticos e agentes públicos do Ministério da Agricultura.

“Temos excelente material de análise e muita coisa ainda sob sigilo. A operação é grande e ainda vai crescer bem mais”, comenta um investigador.

Relatório da Polícia Federal revela que as propinas identificadas pela Operação Carne Fraca foram pagas até em ovos e botas de borracha. Deflagrada na última sexta-feira, 20, a operação mira corrupção na Superintendência Federal de Agricultura no Estado do Paraná (SFA/PR) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No rol de empresas investigadas pela Polícia Federal estão a JBS, dona da Seara e da Big Frango, a BRF, controladora da Sadia e da Perdigão, e os frigoríficos Larissa, Peccin e Souza Ramos.

“Para deixar de cumprir com seus deveres funcionais de fiscalização, agentes públicos solicitam e recebem desde dinheiro até “ovos” e “botas de borracha” de empresários corruptores que se beneficiam do sistema para o não cumprimento de leis e regulamentos que visam a garantir a qualidade do produto de consumo comercializado para população”, aponta o relatório subscrito pelo delegado Mauricio Moscardi Grillo.

“Frise-se que o valor aparentemente irrisório das propinas recebidas (“ovos” e “botas de borracha”) é inversamente proporcional ao dano causado pelos crimes contra a saúde pública, pois os efeitos da ingestão de alimentos impróprios muitas vezes só serão percebidos a longo prazo e sem que se possa aferir suas causas, já que tais alimentos continham a “chancela” do órgão que deveria fiscalizar e não o fez”. ( Informações do site Diário do Poder)

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