Zuza Homem de Mello morre em São Paulo, aos 87 anos

Zuza Homem de Mello morre em São Paulo, aos 87 anos

O mais importante pesquisador de música do País, escritor, jornalista, contrabaixista e técnico de som, estava com 87 anos e morreu enquanto dormia em seu apartamento, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. A causa da morte revelada pela família foi infarto agudo do miocárdio.

Zuza havia finalizado na última terça-feira (29) uma biografia sobre João Gilberto, um projeto que o emocionava só de contar. Já havia feito um perfil sobre o violonista baiano, mas decidiu refazer os escritos, ir mais fundo na pesquisa, entrevistar mais pessoas e expandir a história. Ao falar sobre suas audições do álbum Amoroso, que João lançou em 1977, dizia que não conseguia ouvi-lo sem ir às lágrimas. E só de contar, chorava mais uma vez.

“Ensinar as pessoas a aprender a ouvir.” Para ele, ouvir bem uma música, com tudo o que ela tinha a oferecer, era um ato que poderia salvar um dia, uma história, uma vida.

“Zuza é das grandes figuras do meu Brasil. Eu o visitava em Sampa pra conversar e ouvir música e ele me mostrava tudo. É um conhecedor da música, apaixonado por jazz e íntimo da MPB. E que homem elegante, educado, civilizado!”, Caetano Veloso em entrevista ao Estadão em 98.

É estaca guardiã, solitária e feliz diante da preservação e respeito a nossa música, nossos músicos, nossos cantores e cantoras, compositores, arranhadores, cantadores de repentes, tocadores de pife, de sanfona, de tarol, de prato e faca raspada”, Egberto Gismonti.

“Zuza, sempre atento aos movimentos musicais antes mesmo que eles tivessem reconhecimento do público e da mídia. É um farejador craque”, Roberto Menescal.

“Um dos maiores gentlemen que conheci, das testemunhas mais presentes e atentas na história. Zuza é zuzu de bom!”, Nelson Motta.

“Invejo no Zuza a quantidade de grandes músicos e cantores, brasileiros e internacionais, que ele viu em cena e com quem se relacionou. Por sorte para nós, ele a transforma suas histórias em livros e assim podemos, vicariamente, vivê-las também”, Ruy Castro.

“Um país cujo canto é respeitado até no exterior, precisa de homens munidos de melos, porque sem uma crítica rigorosa e Zuzalina, a panaceia se instala em desmelodias na estrutura do homem”, Tom Zé.

Fonte: Estadão